Promotor do R.Unido admite ter sido contrário à invasão do Iraque

Londres, 27 jan (EFE).- O ex-procurador-geral britânico Peter Goldsmith admitiu hoje que em 2002, ao avaliar o caso iraquiano, não considerou justificável que o Reino Unido invadisse o Iraque sem contar com uma segunda resolução da ONU, mas reconheceu que meses depois mudou de ideia.

EFE |

Ao prestar hoje declaração na investigação independente sobre a Guerra do Iraque (2003) em Londres, Goldsmith afirmou que sua primeira impressão foi que a resolução 1.441 das Nações Unidas, aprovada em novembro de 2002, não justificava o ataque.

No início, ele descartou a legalidade da ação militar com a base da "defesa própria", pois "não havia provas de iminente ameaça" do presidente iraquiano Saddam Hussein.

Informou que recebeu três relatórios de assessorias de serviços secretos, em setembro de 2002, fevereiro de 2003 e março de 2003.

"Em minha opinião, em um primeiro momento, ao analisar todos os fatores, considerei que não havia provas suficientes. Ao avaliar (a situação) estava disposto a dizer não, destaquei a necessidade de uma segunda resolução", ressaltou o procurador-geral do Governo de Tony Blair na época da invasão do Iraque em março de 2003.

Mas, "quando tive de dar uma opinião definitiva, mudei de ideia", afirmou.

Em 13 de março de 2003, Goldsmith concluiu que o uso da força era legítimo e era justificado pelo "efeito combinado" das resoluções existentes da ONU sobre o Iraque, de 1991.

Os maiores críticos da intervenção liderada pelos Estados Unidos e o Reino Unido acreditam que Goldsmith foi pressionado a mudar de opinião pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair.

Amigo de Blair, o ex-promotor contou que em julho de 2002 disse ao primeiro-ministro que não havia base legal que justificasse a guerra.

Goldsmith vai detalhar hoje diante da comissão que investiga a Guerra do Iraque por que mudou de ideia em poucos dias, de advertir sobre a ilegalidade da invasão e depois considerá-la uma segunda resolução da ONU.

Na sexta-feira, Blair vai depor à comissão que investiga em uma sessão rodeada de grande expectativa. Para este dia, são esperados fortes protestos dos familiares dos militares mortos e de grupos contrários à guerra. EFE vg/dm

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