Projeto filma peixe a quase 8 km de profundidade

Cientistas japoneses filmaram um peixe que vive a 7,7 quilômetros de profundidade - a maior extensão onde já se encontraram espécies vivas. Até o momento, o peixe que vivia em águas mais profundas havia sido observado a sete quilômetros de profundidade.

BBC Brasil |

Conhecido como pseudoliparis amblystomopsis, o peixe, de apenas 30 centímetros de comprimento, foi encontrado na costa japonesa do Oceano Pacífico.

A descoberta faz parte do projeto Hadeep, realizado em parceria pelas universidades de Aberdeen, na Escócia, e de Tóquio, no Japão, com o objetivo de varrer o fundo do mar em busca de criaturas que vivem em águas profundas e ampliar o conhecimento sobre a biologia no fundo dos oceanos.

Sobrevivência
Os cientistas têm trabalhado em uma área conhecida como zona Hadal - a designação do fundo do mar situado a mais de 6 mil metros de profundidade, abaixo da zona abissal.

Os cientistas conseguem explorar essas regiões profundas usando sondas operadas por controle remoto e capazes de resistir às imensas pressões da água.

Os "veículos submarinos" possuem ainda uma câmera acoplada para garantir o registro das espécies encontradas no fundo do mar.

"Existe a questão sobre como esses animais vivem nessas profundidades", disse Monty Priede, da Universidade de Aberdeen.

Priede cita três principais problemas para a sobrevivência em águas tão profundas.

"O primeiro é o suprimento de comida, que é bem remoto e vem de oito quilômetros acima", afirma o pesquisador. "Há também a pressão - eles têm que ter todo o tipo de modificações fisiológicas, principalmente no nível molecular."
"O terceiro problema é que as correntes formadas nessas profundidades são como pequenas ilhas em um grande abismo, e não sabemos se são grandes o suficiente para suportar as populações que crescem de maneira endêmica", acrescenta Priede.

O cientista afirma, no entanto, que os peixes parecem ter superado esses problemas.

Ativo
Os pesquisadores se dizem surpresos com o comportamento dos peixes em águas profundas.

"Pensamos que, pela profundidade, os peixes seriam relativamente inativos, armazenando a maior quantidade de energia possível e tudo mais", conta Priede à BBC News.

"Mas as imagens mostram os peixes se movendo, comendo com precisão, atacando as presas que passam pelo lado", descreve o pesquisador.

"Ninguém jamais havia visto um peixe vivo nessas profundidades - apenas em conserva em museus e, depois que são retirados do fundo do mar, eles têm uma aparência miserável", afirma Priede. "Mas esses peixes são muito bonitinhos."
O último peixe encontrado vivo na maior profundidade era o abyssobrotula galateae, que foi retirado do fundo do mar em Porto Rico a mais de oito quilômetros, em 1970. No entanto, ao chegar na superfície, o animal já estava morto.

Alan Jamieson, da Universidade de Aberdeen, afirma que é "uma honra poder ver esses peixes".

Segundo Jamieson, a equipe deverá encontrar ainda mais peixes durante a próxima expedição, marcada para março de 2009, que vai explorar a área entre 6 mil e 9 mil metros de profundidade.

"Ninguém nunca foi capaz de ver essas profundidades antes - acho que vamos encontrar peixes vivendo em águas muito mais profundas", conclui o pesquisador.

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