Projeto de orçamento de Obama é submetido ao Congresso

O presidente Barack Obama enviou o secretário do Tesouro, Tim Geithner, e o diretor do orçamento, Peter Orszag, ao Congresso, para defender durante a semana seu projeto de orçamento para 2010, voltado para ajudar a tirar a economia americana da recessão.

AFP |

Segundo o secretário americano do Tesouro, o projeto deve trazer de volta "a retomada econômica" e "a prosperidade".

"Ante os grandes desafios do passado, vamos mostrar nossa vontade de suplantar a adversidade e de traçar o caminho para um retorno à prosperidade. Vamos fazer de novo", afirmou Geithner, segundo o texto de seu testemunho ante a Câmara de Representantes, transmitido por antecedência à imprensa.

A partir desta terça-feira, os dois líderes da equipe econômica do presidente passam longas horas no Capitólio, a sede do Congresso americano, explicando o projeto a diversas comissões parlamentares.

Também nesta terça-feira, os senadores da comissão do Orçamento questionaram Ben Bernanke, o presidente do Banco Central americano, sobre os "desafios do orçamento" nestes tempos de recessão econômica.

Bernanke afirmou que o plano de recuperação do Estado deve trazer "ganhos sólidos" à economia americana, mas que é preciso "fazer ainda mais" para o sistema financeiro.

Na manhã desta terça-feira, Obama ressaltou que "os resultados econômicos do último trimestre de 2008 são os piores dos últimos 25 anos, e francamente, o primeiro trimestre deste ano não deverá ser melhor".

Diante desta situação, um projeto de orçamento de 3,552 trilhões de dólares para 2010 foi aprresentado na quinta-feira passada.

Para o exercício 2010, que vai de 1 de outubro a 30 de setembro, o projeto aposta em um déficit de 1,171 trilhão de dólares, contra 1,752 trilhão em 2009.

"Penso que o presidente Obama está indo na direção certa, ao reduzir o déficit pela metade nos cinco próximos anos e ao fazer investimentos fundamentais para o futuro econômico de nosso país", declarou na semana passada o presidente da comissão do Orçamento do Senado, Kent Conrad, durante uma entrevista coletiva sobre o orçamento 2010.

Conrad destacou, porém, que será necessário "fazer mais" para conter o crescimento da dívida nos próximos anos.

Entre as principais medidas do novo orçamento, estão os cortes de impostos para a classe média - conforme à promessa de campanha de Obama - e o aumento dos impostos cobrados dos mais altos salários.

Os cortes de impostos para as famílias aumentarão o déficit em 12 bilhões de dólares a partir de 2011, e em 770 bilhões no período de 2010 a 2019.

Além disso, 634 bilhões de dólares em dez anos estão previstos para fornecer seguro-saúde aos 46 milhões de americanos desprovidos de cobertura médica.

O Pentágono, por sua vez, obtém um orçamento de 663,7 bilhões de dólares em 2010, sendo 130 bilhões para financiar as guerras no Afeganistão e no Iraque.

Além disso, o orçamento 2009 inclui os 247 bilhões liberados para o plano de resgate do setor financeiro aprovado pelo Congresso em outubro de 2008.

O plano de recuperação da economia de 787 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso em fevereiro injetará 202 bilhões na economia já em 2009, 353 bilhões em 2010 e 134 bilhões em 2011.

Os republicanos do Congresso já expressaram sua insatisfação com este plano, e anunciaram a intenção de emitir uma contraproposta. Para a oposição, o plano afetará fiscalmente as pequenas empresas que, segundo eles, constituem um elemento fundamental para o retorno à prosperidade.

O governo de Obama e o Congresso, de maioria democrata, querem finalizar o orçamento 2010 já em abril.

Paralelamente, o Federal Reserve anunciou nesta terça-feira o lançamento de seu plano para relançar o crédito para o consumo, que lhe permitirá emprestar até 200 bilhões de dólares aos investidores que compram títulos indexados a este tipo de crédito.

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