Projeto de Conselho Sul-Americano de Defesa pode sair em 3 meses, diz Bachelet

BRASÍLIA - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou nesta sexta-feira que a proposta brasileira para a criação de um Conselho Sul-americano de Defesa será discutida durante três meses antes que se chegue a uma proposta final. O governo brasileiro propôs a criação do Conselho na reunião em que foi fundada a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Brasília.

BBC Brasil |

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  • A intenção do governo brasileiro é criar um órgão sob o guarda-chuva da recém-criada instituição para discutir questões do setor. A proposta brasileira envolve, por exemplo, a colaboração na produção de armamentos, maior troca de informações entre as forças armadas dos países da região e treinamentos conjuntos.

    "Uma das definições reunião (entre os presidentes) foi a criação de um grupo de trabalho para discutir o assunto e chegar a uma proposta final em 90 dias", disse Bachelet.

    Lula

    O governo chegou a afirmar que esperava um avanço sobre o tema já na reunião desta sexta, embora no começo do dia membros do Executivo já tivessem mudado de tom e afirmado que não se esperava nenhum avanço formal.

    Questionado sobre o assunto, o presidente Lula negou que a definição tenha sido um fracasso.
    "Estou há seis anos na Presidência do Brasil. Cada vez que discutimos uma proposta de acordo que envolve um ou mais países, às vezes levamos meses discutindo, e tem que ser assim até que todos estejam convencidos de que a proposta é boa para todos os países."

    Nesta semana o ministro da Defesa, Nelson Jobim, encerrou um giro pela região para explicar a proposta brasileira e ouvir a opinião dos outros países.

    Farc

    O único país que anunciou publicamente restrições à idéia foi a Colômbia. Após a reunião com os presidentes da região, Álvaro Uribe disse que sua posição não mudou. "(Não concordamos com a proposta) porque temos um problema de terrorismo muito grave, que tem gerado dificuldades políticas com alguns governos de povos irmãos, que oxalá sejam superados".

    Ele disse ainda que aceitou a criação do grupo de trabalho para discutir o assunto, mas ao ser questionado se poderia mudar de opinião em três meses, Uribe respondeu de forma evasiva.

    O presidente também defendeu que o Brasil se posicione em relação às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) classificando o grupo como terrorista. O Brasil não classifica as Farc como grupo terrorista, o que é feito pela própria Colômbia, pelos Estados Unidos e pela União Européia. Do lado oposto, Hugo Chávez defende que o grupo seja classificado como beligerante.

    Além do debate sobre o Conselho de Defesa, a reunião em Brasília definiu as bases de trabalho da Unasul, o funcionamento da entidade no chamado processo de transição (até que todos os parlamentos de todos os países aprovem o tratado) e um segundo grupo de trabalho para definir o nome do secretário-geral do órgão.

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