Proibição de fumo em locais públicos entra em vigor na Índia

No centro comercial Connaught Place, em Nova Déli, a hora do almoço geralmente é movimentada para Bhag Chand Jain. Ele senta em seu pequeno quiosque, do lado de fora de um edifício, vendendo batata-frita, refrigerantes, doces, chicletes e cigarros.

BBC Brasil |

Os fumantes acendem seus cigarros com uma corda amarrada ao lado do quiosque, sua ponta brilhando como uma brasa.

Entre os fumantes estão duas jovens, que acendem seus cigarros e caminham em direção a um prédio de escritórios.

O prédio onde trabalham já havia sido declarado uma zona não-fumante em preparação à proibição do fumo em lugares públicos da Índia, que entrou em vigor nesta quinta-feira.

Fumo social
"Antes nós fumávamos nas escadas. Mas há algum tempo temos vindo fumar fora do prédio, já que não podemos mais acender lá dentro", disse uma das jovens.

Para essas mulheres, o intervalo para o cigarro costumava ser uma diversão e uma forma de se conectar com o grupo.

"Nós nos sentimos como parias agora", disseram as jovens, fumando na rua sob um calor de 34 graus.

O bancário Sambhav Mahapatra também reclama da proibição ao dar uma longa tragada em seu cigarro. "É uma perda de tempo. Antes meu intervalo para fumar durava três ou quatro minutos. Agora é 15 ou 20 minutos."
É exatamente essa sensação de irritação que as autoridades esperam reduzir com sua campanha anti-fumo.

Especialistas dizem que fumantes reduzem o número de cigarros quando não podem fumar em situações sociais.

Autoridades de saúde da Grã-Bretanha afirmam que 400 mil fumantes largaram o vício no ano seguinte à implementação de uma proibição similar à da Índia.

O ministro da Saúde indiano, Anbumani Ramadoss, diz que a proibição vai "desencorajar fumantes, fazê-los parar ou pelo menos reduzir seu fumo".

Para ajudar aos que quiserem largar o cigarro, o ministério anunciou planos de criar cem clínicas no país nos próximos dois anos.

Mortes
"O fumo mata 900 mil pessoas na Índia todos os anos, 2,5 mil pessoas por dia e 102 pessoas por hora. E 40% dos casos de câncer na Índia são relacionados ao cigarro", disse Sajeela Maini, presidente da Fundação de Controle do Tabaco.

Maini administra uma clínica que ajuda as pessoas a pararem de fumar em um hospital particular de Nova Déli.

"Eu tenho pacientes dos 12 aos 75 anos, tanto homens quanto mulheres", disse. "A proibição de fumar em lugares públicos é uma boa idéia, mas minha principal preocupação é que os fumantes começarão a fumar mais em casa."
Segundo as autoridades indianas, o principal objetivo da proibição é proteger os fumantes passivos.

"Quem é o maior fumante passivo? É a família, a mulher e os filhos", disse a médica.

Leis
Ela também está preocupada com a possibilidade de muitos fumantes trocarem o cigarro pelo tabaco de mastigar.

Os não-fumantes indianos afirmam que a lei já deveria ter sido criada há muito tempo, mas muitos dizem que apenas a legislação não é suficiente e que é preciso formas rígidas de implementação.

A Índia tem várias leis que acabam não sendo cumpridas por falta de rigidez na hora de colocá-las em prática.

"Sim, o fumo passivo é um grande problema de saúde. Mas o quanto essa lei é prática? De acordo com a lei, há dez outras coisas que você não pode fazer, mas desde quando isso impediu alguém?", disse um indiano.

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