Proibição de candidaturas sunitas prejudica situação política no Iraque

Bagdá, 13 fev (EFE).- A Comissão Eleitoral do Iraque confirmou hoje que dois proeminentes políticos sunitas não poderão participar das próximas eleições parlamentares, uma decisão que já afeta mais de 100 candidatos e que prejudica a votação de 7 de março.

EFE |

Ficaram de fora da disputa, entre outros, Saleh al-Mutlaq, que preside a Frente para o Diálogo Nacional, e Dafer al-Ani, que lidera a Frente do Consenso, ambos grupos de maioria sunita.

O anúncio foi feito pelo vice-presidente da Comissão Eleitoral, Amal Al-Birqader, ao comentar o andamento da revisão de 511 candidaturas, as quais inicialmente haviam sido proibidas de participar das eleições por supostas relações com os remanescentes do regime de Saddam Hussein.

Segundo os dados divulgados por Al-Birqader ao canal oficial de televisão "Al Iraqiya", dos casos analisados até agora, 26 candidatos ganharam a apelação que tinham apresentado e 145 a perderam.

As autoridades iraquianas querem evitar que no pleito possam participar representantes do banido partido Baath, pilar político do regime de Saddam Hussein (1979-2003) e que o Governo de Bagdá acusa de estar por trás de recentes atentados.

Os 511 casos que estão sendo revisados foram selecionados pela Comissão de Justiça e Transparência, que se encarrega de evitar a ressurreição política dos antigos partidários do regime de Saddam Hussein.

Mas a inicial proibição dos 511 candidatos gerou uma série de protestos no Parlamento, principalmente dos partidos sunitas. Por isso, abriu-se a possibilidade de apresentar apelações, que agora estão revisando sendo revisadas.

O anúncio da Comissão Eleitoral ocorre um dia depois de iniciada a campanha eleitoral para o pleito parlamentar de 7 de março. É do Parlamento a ser eleito que sairá a próxima coalizão governante do Iraque.

Em uma primeira reação, uma das mais importantes alianças políticas, a Lista Iraquiana, liderada pelo ex-primeiro-ministro xiita Iyad Allawi, anunciou que suspendia sua campanha eleitoral por três dias em protesto à medida anunciada pela Comissão Eleitoral.

Um dos dirigentes sunitas eleitoralmente banidos, al-Mutlaq, é vinculado a essa coalizão.

Essas divergências prévias ao pleito semeiam dúvidas sobre a possibilidade de reconciliação política entre os majoritários xiitas e os sunitas. Os sunitas decidiram boicotar as últimas eleições parlamentares, em 2005.

Coincidindo com a medida, a coalizão terrorista Estado Islâmico do Iraque, dominada pela Al Qaeda, ameaçou impedir o desenvolvimento das eleições ao considerar que representam "um suicídio e um crime político".

"O primeiro e último objetivo dessa votação é humilhar os sunitas do Iraque", afirmou em uma gravação de áudio divulgada em sites o líder da organização, Abu Omar al-Baghdadi.

O dirigente terrorista afirmou que depois das consultas feitas a "ulemás, chefes tribais e mujahedin", a coalizão terrorista tinha decidido "impedir a realização dessas eleições com todos os meios legítimos possíveis".

"Somos testemunhas de uma preparação militar, informativa e psíquica de uma obra teatral perigosa que se chama eleições parlamentares", ressaltou o líder extremista na fita de áudio, intitulada "O crime das eleições legislativas e políticas".

O Estado Islâmico do Iraque é um conglomerado de grupos radicais islâmicos liderados pela Al Qaeda e formado em 2006. É o responsável pelos mais sangrentos atentados registrados em Bagdá nos últimos meses. EFE ah/sa

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