Progressos contra malária não impediram 900 mil mortes em 2008

Genebra, 15 dez (EFE).- O aumento do financiamento internacional para os programas contra a malária trouxe consideráveis progressos nos últimos anos, mas ainda é insuficiente na lutar contra uma doença que em 2008 matou mais de 863 mil pessoas.

EFE |

Assim detalha o Relatório Mundial sobre a Malária 2009 divulgado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que constata que os compromissos internacionais de financiamento para combater a doença passaram de US$ 300 milhões em 2003 para US$ 1,7 bilhão em 2009, uma incrível multiplicação e uma redução tangível da doença.

O uso de mosquiteiros tratados com inseticida e de terapias combinadas baseadas em artemisina foram os principais métodos utilizados para atacar o mal transmitido pelos mosquitos e que ameaça metade da população mundial em 108 países onde é endêmico.

Mas o relatório assinala que o financiamento ainda está longe dos US$ 5 bilhões que são necessários anualmente para garantir uma alta cobertura com esses métodos de prevenção e tratamento.

Por isso, a diretora geral da OMS, Margaret Chan, expressou um cauteloso otimismo sobre os dados revelados pelo estudo: "embora falte muito a fazer, os dados sugerem que o enorme aumento no financiamento leva a um rápido aumento das ferramentas de controle da malária", afirmou.

Calcula-se que em 2008, 31% dos lares africanos possuía pelo menos um mosquiteiro tratado com inseticida, um percentual superior aos 17% registrados em 2006.

Já em 2008, em comparação com os anos anteriores, aumentou a proporção de crianças menores de cinco anos que utilizaram as redes de proteção, até chegar 24%, embora isso esteja ainda distante da meta de 80% fixada pela OMS.

Em 13 países africanos com uma elevada presença da doença, o percentual de famílias que possuíam mosquiteiros superou 50%, aponta o relatório.

Sobre a utilização de tratamentos combinados baseados na artemisina, o estudo destaca que embora tenha crescido na comparação com 2006, ainda é baixo na maior parte dos países africanos.

Em 11 dos 13 países estudados em 2007 e 2008, menos de 15% das crianças menores de cinco anos com febre receberam este tipo de tratamento.

A terceira medida básica recomendada pela OMS é a de borrifar o interior das casas com inseticidas de ação residual (incluído o DDT). Em 2008, declararam ter recorrido a essa técnica 44 países, 19 deles africanos.

O objetivo fixado pelos Estados-membros da OMS para reduzir a incidência de malária é conseguir uma redução de pelo menos 50% para finais de 2010, e pelo menos de 75% para 2015, no número de casos e de mortes pela doença, frente aos níveis de 2000.

O atual relatório indica que em mais de um terço dos 108 países pantanosos - nove africanos e 29 não africanos -, o número de casos de malária diminuiu em mais de 50% em 2008, contra o 2000.

As reduções mais modestas foram registradas nos países de maiores taxas de incidência.

Os países que conseguiram oferecer a boa parte da população mosquiteiros e o acesso a programas terapêuticos reduziram à metade a morbidade e a mortalidade por malária, resultados que foram observados nas ilhas, como São Tomé e Príncipe, e Zanzibar, mas em alguns países continentais, como a Eritréia, Ruanda e Zâmbia.

Paralelamente aos avanços, a resistência do parasita aos fármacos antimaláricos e a resistência do mosquito constituem duas ameaças para a luta contra a malária em escala mundial.

Por isso, a OMS lidera uma iniciativa para impedir a aparição de resistências, que se deve aos sistemas utilizados em 37 países - a maioria na África, mas também nas Américas e Ásia Sudeste - que ainda utilizam as monoterapias orais de artemisina.

O organismo de saúde multilateral recomenda retirar do mercado esses tratamentos e substituí-los pelos tratamentos combinados baseados nesse fármaco. EFE vh/dm

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