Programa nuclear do Irã domina Conferência de Segurança em Munique

Juan Carlos Barrena. Munique (Alemanha), 5 fev (EFE).- O programa nuclear do Irã voltou a se tornar hoje o protagonista da Conferência de Segurança de Munique e relegou para segundo plano o tema central do primeiro dia de debates, dedicado à segurança energética e o fornecimento de matérias-primas.

EFE |

Ao abrir os três dias de discussões, o titular alemão de Defesa, Karl Theodor zu Guttenberg, abordou a disputa que as grandes potências travam com o Irã por causa de seu controvertido programa nuclear, suspeito de ter como objetivo o desenvolvimento de armas nucleares.

"Esperamos neste fim de semana escutar um claro, inconfundível e aceitável sinal do Irã", disse Guttenberg, depois da confirmação nesta manhã da presença no encontro do ministro iraniano de Exteriores, Manouchehr Mottaki.

O responsável alemão de Defesa fez referência assim às expectativas abertas pelo Irã depois que seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, anunciasse a disposição de seu país de enriquecer em outro país o urânio que precisa supostamente para fins pacíficos.

Yang Jiechi, ministro chinês de Assuntos Exteriores, fez alusão ao conflito com o Irã em seu discurso, mas sempre em um tom conciliador.

O Irã "não fechou a porta do diálogo" com a comunidade internacional na polêmica sobre seu programa nuclear, afirmou o chefe da diplomacia chinesa, quem insistiu para que seu país não esgote a via diplomática.

"Meu país apoia o desarmamento nuclear, assim como o direito à utilização dessa energia para fins civis, e seguirá defendendo a via do diálogo", disse Yang.

"A questão entrou em uma fase decisiva" e os interlocutores devem observar com "paciência e flexibilidade" para encontrar o caminho a uma "solução duradoura", assinalou o ministro chinês, a primeira grande autoridade do Governo de Pequim que assiste à reunião de Munique, no sul da Alemanha.

A postura de Yang Jiechi contrasta com a dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e inclusive Rússia, que nas últimas semanas aumentaram suas pressões contra o regime de Teerã, ao que ameaçam com sanções mais severas se não coopera sinceramente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

À discussão se somaram também em Berlim antes de viajar para Munique os titulares de Exteriores da Alemanha e Rússia, Guido Westerwelle e Serguei Lavrov, respectivamente, que fizeram novas advertências às autoridades de Teerã.

"Não podemos permitir que o Irã se arme nuclearmente. Isso traria consigo a desestabilização de todo o mundo", disse o chefe da diplomacia russa, apesar de ter defendido a via do diálogo, mas ressaltou que, no caso de Teerã não ceder, "teremos que levar a questão no Conselho de Segurança da ONU".

Da mesma forma que Westerwelle, Lavrov expressou seu desejo de conversar em Munique com seu colega iraniano Mottaki, quem "espero que me escute e reaja".

Enquanto isso, o jornal de Munique "Süddeutsche Zeitung" assegura que, na hora de desenvolver uma ogiva nuclear, Irã recorreu à ajuda de um cientista que trabalhou em um antigo laboratório de armas atômicas soviéticas.

Segundo o jornal, ao contrário de outros modelos mais antiquados, a ogiva só precisa de dois detonadores especiais, o que permite reduzir seu tamanho consideravelmente e, após a fabricação, poderia ser lançada com um foguete iraniano de alcance médio, como o Shahab-3.

A mesma publicação diz que a informação partiu da AIEA. Com a ajuda do antigo cientista soviético, o Irã tem agora conhecimento suficiente para construir uma ogiva nuclear baseada em urânio altamente enriquecido. EFE jcb/dm

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