Nações Unidas, 11 jul (EFE).- Um programa das Nações Unidas destinado a combater a mudança climática concedeu subsídios para a construção de centrais elétricas na Índia e na China que emitem gases responsáveis pelo aquecimento global, informou hoje o jornal The Wall Street Journal.

O diário econômico assegurou que o programa outorgou ajudas a 13 centrais de gás natural, e estuda fazê-lo também com outras que consomem carvão mineral que, assim como o petróleo, produz dióxido de carbono.

Em conseqüência, assinala o rotativo, os proprietários das centrais receberam milhões de dólares destinados a fomentar o desenvolvimento de energia solar, turbinas eólicas e outros métodos de produção de energia renovável.

Um dos projetos que podem receber assistência da ONU é uma central de carvão de US$ 4 bilhões que a empresa Tata Power deve construir no oeste da Índia, e que, quando entrar em funcionamento, será uma das maiores do mundo, indicou o diário.

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC) criou este programa de subsídios, chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM, na sigla em inglês), após a assinatura do Protocolo de Kioto em 1997 para apoiar iniciativas que combatam o aquecimento global, como a preservação de florestas e as energias renováveis.

Os programas CDM aprovados pela ONU permitem a obtenção de Certificados de Redução de Emissões (CER), que são negociáveis no mercado internacional com os países industrializados que devem cortar suas emissões de CO2.

Os responsáveis do CDM entrevistados pelo "The Wall Street Journal" justificam os subsídios às centrais elétricas que consomem hidrocarbonetos, com o argumento de que as novas usinas substituem as velhas centrais mais poluentes.

A usina que a Tata Power constrói no estado indiano de Gujarat emitirá 2,8 milhões de toneladas anuais de dióxido de carbono a menos do que se utilizasse uma tecnologia mais antiquada, segundo seus responsáveis.

Caso consiga a aprovação do CDM, a venda no mercado internacional dos CER que resultam desta redução de emissões representaria uma receita de US$ 36 milhões anuais à empresa indiana.

Os proprietários de três centrais chinesas de gás natural que receberam no ano passado a aprovação do CDM poderiam ganhar US$ 35 milhões com a venda dos certificados aos quais a ONU lhes deu direito, apontou o diário.

Os críticos do programa citados pelo jornal observam que este uso dos subsídios se desvia da meta de incentivar a propagação de fontes de energia renováveis, e contribui para que sigam sendo emitidos gases poluentes na atmosfera.

Mas os Governos de países como Índia e China assinalam que suas emissões per capita são significativamente menores que as do mundo desenvolvido, e que a construção de centrais elétricas é imprescindível para alimentar o crescimento econômico que permitiu reduzir seus índices de pobreza. EFE jju/gs

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