Professores entram em greve na França contra corte de empregos

Por Brian Rohan PARIS (Reuters) - Centenas de milhares de professores e outros trabalhadores do setor público francês entraram em greve na quinta-feira para protestar contra os cortes e reformas anunciados pelo governo do presidente conservador Nicolas Sarkozy.

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É a terceira grande greve do setor público desde que Sarkozy chegou ao poder, há um ano, prometendo reformas que reanimariam a economia francesa. Os sindicatos planejam uma greve ainda maior para o dia 22 de maio.

Professores e alunos marcharam pelo centro de Paris em uma manifestação que lotou algumas das maiores avenidas da capital.

A polícia estima que havia 18 mil manifestantes, mas, segundo os organizadores, havia mais de 50 mil.

A principal questão abordada pelos protestos é o plano de cortar 11 mil postos de trabalho no setor de educação (o que inclui a demissão de mais de 8 mil professores) ao preencher apenas metade das vagas deixadas por aqueles que se aposentarem.

O governo diz que os cortes são necessários para conter os gastos públicos e equilibrar o orçamento até 2012, atendendo ao compromisso que o país assumiu com a União Européia.

Uma pesquisa da OpinionWay mostrou que 54 por cento dos entrevistados acham a greve justa.

Sarkozy, que atravessa a fase menos popular de seu mandato, disse em um discurso televisionado que apóia o direito à greve, mas irá forçar uma lei que obrigue as escolas a continuar abertas para que os pais possam ir ao trabalho.

'As greves trazem dificuldades insuperáveis para as famílias... Eu pedi ao governo que apresente um projeto de lei antes do verão para garantir o direto das crianças serem recebidas pelas escolas', disse.

O Ministério da Educação francês disse que 34 por cento dos seus funcionários -- o que equivale a cerca de 300 mil pessoas -- estavam em greve ao meio-dia (horário local). Os sindicatos de professores apresentaram números maiores, dizendo que esta greve é maior do que a paralisação anterior, ocorrida em março.

'Se o governo precisa de dinheiro, deve acabar com os cortes de impostos que Sarkozy fez para os ricos', disse Leonore Topelet, 16 anos, uma das manifestantes.

Embora o ministro da Educação, Xavier Darcos, tenha dito ao canal LCI que a greve 'não se adapta aos problemas que enfrentamos hoje', os manifestantes em Paris estão convencidos de que o governo pode atingir suas metas economizando em outros setores.

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