Seis meses após início de movimento, manifestantes entram em confronto com polícia em início de nova rodada de 48h de protestos

Confrontos entre manifestantes e a polícia ocorreram no fim de uma marcha de professores e estudantes em Valparaíso, cidade sede do Congresso chileno, no início de uma nova rodada de 48 horas de protestos, mais de seis meses depois do início das manifestações por uma educação pública e de qualidade . Na sexta-feira está prevista uma marcha no centro de Santiago, partindo da Universidade de Santiago e terminando em uma das sedes da Universidade do Chile.

Estudantes chilenos entram em confronto com a polícia durante marcha contra o governo em Valparaíso, Chile
AFP
Estudantes chilenos entram em confronto com a polícia durante marcha contra o governo em Valparaíso, Chile
Os incidentes em Valparaíso ocorreram enquanto se desenvolvia o ato central no final da marcha, que reuniu cerca de 7 mil manifestantes, de acordo com a polícia, e 40 mil, segundo os organizadores. A manifestação, convocada pelo Colégio de Professores e à qual adere a Confederação de Estudantes do Chile (Confech), começou perto do meio-dia no horário local (13h em Brasília) na praça Sotomayor do porto, a cerca de 120 km a oeste de Santiago.

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 Um grupo de encapuzados tentou ultrapassar as cercas colocadas pela polícia e atacou com pedras e paus os agentes de forças especiais, que responderam aos ataques lançando jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo. A polícia não entregou até agora um relatório sobre o número de detidos após os confrontos, que ocorreram por quase duas horas.

Cerca de 2,5 mil professores chegaram a Valparaíso em uma caravana de 55 ônibus, que à tarde previa se dirigir a Santiago para a marcha prevista para sexta-feira no centro da cidade.

Na sede do Congresso chileno, em Valparaíso, discute-se agora o orçamento da Educação para 2012, que inclui um aumento de 7,2% em relação ao anterior, considerado insuficiente por professores e reitores.

Mais de seis meses depois do início das manifestações, o conflito ganhou apoio popular e inspirou ações semelhantes em outras partes da América do Sul, como a Colômbia , além de ter, politicamente, prejudicado a imagem do presidente Sebástian Piñera.

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No entanto, os protestos entram em um momento complexo, com poucos avanços concretos nas reivindicações dos estudantes. Eles exigem que o governo proporcione educação pública para todos, não apenas para os mais pobres, e melhore a qualidade do ensino.

Os estudantes também querem redução dos subsídios do governo para as universidades privadas, o fim do lucro nos estabelecimentos que recebem aportes do Estado e o retorno da administração das escolas - hoje nas mãos dos municípios - ao Estado central. O presidente Piñera afirmou que não há condições de proporcionar educação gratuita e de qualidade para todos.

Estudantes e professores chilenos realizam protesto contra governo de Sebástian Piñera em Valparaíso, no Chile
AFP
Estudantes e professores chilenos realizam protesto contra governo de Sebástian Piñera em Valparaíso, no Chile
As mensalidades das universdade no Chile estão entre as mais altas do mundo, comparável ao custo educacional dos países mais ricos, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, os chilenos pagam 85% dos custos do ensino superior dos seus próprios bolsos, mais do que em qualquer outro país desenvolvido, apontou a OCDE.

Com AFP e AP

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