Professores chilenos fazem greve contra nova lei de educação

Santiago do Chile, 16 jun (EFE) - Os professores chilenos iniciaram hoje uma greve nacional indefinida para manifestar sua rejeição ao projeto de Lei Geral de Educação (LGE), que será votado na quarta-feira na Câmara dos Deputados, e que consideram que aumenta a desigualdade na educação. As atividades começaram com um ato que reuniu 1.500 pessoas, entre estudantes, universitários e professores na Praça das Armas de Santiago, onde o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, afirmou que a greve teve 90% de adesão em seu primeiro dia.

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Afirmação que a ministra da Educação, Mónica Jiménez, descartou, pois, em sua opinião, não houve greve, mas "uma jornada de reflexão" dos professores para analisar um programa de melhora da qualidade da educação.

Embora a paralisação tenha sido pacífica, uma estudante da Universidade Austral, em Valdivia, 835 quilômetros ao sul de Santiago, sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto fugia da Polícia, que dispersou 300 estudantes que tinham ocupado esse centro de estudos há um mês, segundo informações de rádios.

Em Santiago, os dirigentes do Colégio de professores, com cerca de 90 mil filiados e que esperavam reunir 15 mil pessoas na Praça das Armas, insistiram em que a greve foi um sucesso e assinalaram que no leste do país, a paralisação teve uma adesão de 100%.

Do local, os manifestantes caminharam em direção ao Palácio da Moeda para entregar uma carta à presidente, Michelle Bachelet, na qual pedem que retire do Parlamento o projeto de Lei e que de sua discussão participem professores e estudantes.

Também pedem o fim da segregação na educação, terminar com a seleção de estudantes em colégios e fortalecer o setor público neste âmbito.

A LGE procura substituir a antiga Lei Orgânica de Ensino (LOCE) que foi instaurada por Augusto Pinochet (1973-1990) e que transferiu a administração dos colégios aos municípios, o que aumentou as diferenças entre colégios de ricos e pobres.

O protesto terminou com 12 detidos, entre eles Cristián Cuevas, presidente da Confederação de Trabalhadores do Cobre. A eles se somaram outros oito detidos durante a dispersão dos alunos da Universidade de Santiago (Usach).

Nesta quarta-feira, professores e estudantes irão para Valparaíso, sede do Congresso Nacional, para protestar contra a LGE.

EFE pt/db

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