Washington, 13 fev (EFE).- Amy Bishop, a professora de Biologia que ontem assassinou à queima-roupa três companheiros de departamento na Universidade do Alabama, Estados Unidos, foi acusada do triplo assassinato, além de uma morte premeditada, podendo ser condenada à pena de morte.

Hoje as investigações sobre o passado de Bishop revelaram que em 1986 ela matou seu irmão, de 18 anos, com um tiro à queima-roupa no estômago, mas na época o fato foi considerado um acidente.

O então chefe de Polícia relatou que Amy Bishop tinha perguntado a sua mãe, na presença de seu irmão, como se descarregava um revólver, e com a arma na mão, disparou. Segundo o policial, todos os indícios apontavam para um acidente, informa hoje a versão digital do jornal "The Boston Globe".

Na noite passada, a promotoria formulou as acusações contra essa professora, que abriu fogo ontem contra seus companheiros durante uma reunião do departamento no campus de Huntsville (Alabama, EUA).

Os primeiros indícios apontam que Bishop, de 42 anos, estava furiosa por não ter sido efetivada com um contrato fixo.

Como consequência do tiroteio, morreram três professores de Biologia e outros três servidores da universidade ficaram gravemente feridos.

Os mortos foram identificados como Maria Ragland Davis, uma professora veterana do departamento, Gopi K. Podila, o chefe do departamento de Ciências Biológicas, e Adriel Johnson, um dos professores da faculdade.

Os feridos foram transferidos a um hospital. Dois deles, o professor Joseph Leahy e a assistente do departamento, Stéphanie Monticello, encontram-se em estado crítico, enquanto o professor Luis Rogelio Cruz-Vera se encontra estável.

O marido da vítima Maria Ragland Davis explicou à imprensa que sua esposa ia se reunir com Bishop para falar da possibilidade de ela ser efetivada no cargo.

Na reunião, relataram testemunhas, Bishop ficou furiosa e começou a atirar. Em algumas ocasiões, Maria Ragland tinha dito a seu marido que Bishop "não era capaz de enfrentar a realidade" e que "não era tão boa como pensava".

Bishop era uma neurobióloga que tinha estudado na Universidade de Harvard e que se incorporou à Universidade do Alabama, em Huntsville, como professora assistente da Faculdade de Biologia em 2003.

A Polícia compareceu com rapidez ao local do tiroteio e deteve a atiradora. Quando saía do edifício, algemada, e antes de entrar no veículo policial, ela disse: "Não ocorreu. Estão ainda vivos".

Bishop enfrenta três acusações de homicídio e uma de homicídio premeditado, que lhe poderia acarretar a pena de morte.

A Polícia informou hoje que tinha convocado para depor um homem considerado "pessoa de interesse" na investigação. Alguns meios de comunicação informaram que se trata do marido da acusada, que não foi chamado como suspeito, mas como testemunha.

O incidente ocorreu na tarde de ontem, quando ainda havia alguns estudantes na Universidade. No entanto, nenhum estudante ficou ferido, disse Ray Garner, porta-voz da instituição.

Em seu site, a Universidade informou o cancelamento das aulas e recomendou aos estudantes a voltarem para casa. Hoje alguns dos universitários e dos professores andavam pelo campus, conversando e consolando uns aos outros.

Um dos alunos de anatomia de Bishop, Andrew Cole, disse à imprensa local que a acusada era uma pessoa "compreensiva e preocupada com seus alunos. Nunca teria pensado isso dela".

O campus de Huntsville, onde ocorreu o tiroteio, conta com 7 mil estudantes e fica perto de uma das sedes da Nasa.

O incidente ocorreu uma semana depois que Huntsville foi abalada pela morte a tiros de um estudante do Ensino Médio por um de seus colegas.

"Esta é uma universidade muito segura. Nada como o que ocorreu há uma semana. Esta cidade não está acostumada aos tiroteios e a um número tão grande de vítimas", indicou Garner.

O incidente ocorreu ao se completar dois anos de quando um estudante assassinou cinco de seus colegas na Universidade de Northern Illinois. EFE pgp/sa

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