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Professor é demitido na China por ter saído correndo durante tremor

Um professor chinês foi demitido e teve a licença para lecionar suspensa por ter saído correndo de uma escola sem prestar socorro aos alunos no momento em que o terremoto abalou a província de Sichuan, no mês passado. Segundo o jornal estatal China Daily, o professor Fan Meizhong ensinava literatura aos estudantes da escola primária Guangya, na cidade de Dujiangyan, quando o abalo de 8 graus na escala Richter ocorreu.

BBC Brasil |

Todos os alunos do professor escaparam ilesos, mas segundo as autoridades chinesas, a atitude denunciou sua "desqualificação" para exercer a função de professor.

Meizhong acusa o governo de estar se aproveitando da figura dele para aliviar as tensões com os milhares de pais que perderam seus filhos no terremoto, informou o jornal independente de Hong Kong, South China Morning Post.

Bode expiatório
O professor afirma que o governo está querendo jogar para cima dele a revolta dos pais que viram seus filhos morrerem soterrados nas escolas públicas que desabaram com o terremoto.

"Eu acredito que o departamento de educação me utilizou como bode expiatório para desviar a raiva dos pais das construções das escolas de má qualidade", afirmou Fan.

Famílias das crianças mortas no terremoto exigem do governo uma justificativa para o desabamento de quase sete mil escolas, já que muitos prédios públicos não desmoronaram com o tremor.

Muitos pais acreditam que a causa está na má qualidade das construções e irregularidades na administração de verbas.

"Eu posso ser egoísta, mas eu não fiz nada de errado legalmente. Ninguém morreu por minha causa", se defende Fan.

"Se eu devo ser punido, que punição merecem os membros do Partido Comunista que aprovaram a construção dos prédios "tofu"?", questionou.

Depois do terremoto muitos chineses passaram a chamar os prédios das escolas de "construções tofu", uma referência ao queijo de soja típico da culinária asiática que se parte facilmente.

"Fan, o corredor"
O professor recebeu o apelido de "Fan, o corredor" ao publicar em seu blog na internet uma defesa à sua atitude.

"Num momento de vida ou morte, o instinto básico do indivíduo é de que ele não pode se sacrificar nem mesmo pela própria mãe", acrescentou.

"Eu só me sacrificaria pela minha filha", concluiu.

O texto de Fan precipitou críticas de internautas e levou à demissão do professor com grande alarde pelas autoridades educacionais de Sichuan.

Segundo o jornal da cidade de Cantão Nanfang Daily, o fundador e diretor da escola onde Fan lecionava, Qing Guyan, demitiu o professor por telefone a pedido do governo local.

O diretor havia dito inicialmente que não iria demitir o funcionário, mas mudou sua posição depois que autoridades informaram que haviam suspendido sua licença para lecionar por cinco anos.

Apesar de ser formado em história na prestigiosa Universidade de Pequim, Fan já foi demitido outras três vezes.

Ele disse que pretende processar o governo e tentará começar uma nova carreira como jornalista.

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