Os esforços do governo da China para retirar da capital produtos falsificados não têm sido suficiente para impedir a comercialização de cópias de itens contendo a marca dos Jogos Olímpicos. No centro comercial conhecido como Silk Market (mercado da seda), localizado na região central de Pequim, é possível comprar camisetas, bonés, chaveiros, cordões para celular e outros itens decorados com os mascotes símbolos oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Para não atrair a atenção dos fiscais do governo que rondam o prédio, os produtos não estão expostos nas centenas de lojinhas do centro comercial, mas podem ser obtidos com facilidade quando se pergunta por eles.

Numa loja no terceiro andar do shopping, só estão à mostra itens falsificados de marcas esportivas ocidentais.

Porém, quando perguntado, o vendedor retira discretamente de trás de uma pilha de roupas uma camiseta branca com o símbolo dos Jogos, dobrada ao avesso, e a oferece aos turistas.

O preço inicial da barganha é de 50 yuan (R$ 12) pela camiseta adulta e 30 yuan (R$ 7) pela infantil, mas depois da negociação é possível levar para casa uma recordação da Olimpíada de 2008 pagando-se menos.

"Esses Jogos Olímpicos têm sido bom para os negócios. Já notamos que há mais gente comprando aqui desde o começo da semana", afirmou Hang Mei*, vendedora de uma loja vizinha.

Pirataria
O desrespeito à propriedade intelectual, ou pirataria, é um assunto delicado nas relações diplomáticas e comercias da China com o mundo.

Países como os Estados Unidos, acusam Pequim de não se esforçar o suficiente para garantir que produtos exclusivos sejam somente produzidos sob licença da marca e comercializados sob o pagamento de royalties.

Poucas semanas antes do começo do maior evento esportivo do mundo, autoridades da capital deram uma "limpa" no mercado da seda, para mostrar aos turistas que a situação está sob controle.

Cópias de bolsas, lenços e acessórios de alto luxo e com a marca oficial dos Jogos de Pequim foram retirados de circulação.

"Eles (agentes do governo) vieram aqui há umas semanas e mandaram recolher tudo. Agora tem tido fiscalização direto", conta Li Da*, que oferece às escondidas lenços de seda idênticos aos da marca francesa Hermès, no quarto andar do mercado.

"Ainda ontem um alto oficial do partido envolvido com a organização dos Jogos Olímpicos esteve aqui com assessores e nos cumprimentou", disse Li.

"É por causa dos Jogos Olímpicos. Antes nunca tinham nos policiado assim", acredita ela.

Fácil de comprar
"É fácil comprar tudo o que você quiser de falsificado aqui. Os vendedores falam até inglês e espanhol para facilitar" disse à BBC Brasil o turista chileno Cristóbal Arancibia, que saía do centro comercial na noite de segunda-feira com uma sacola cheia de roupas.

"Não vi exposto nenhum item com o símbolo dos Jogos Olímpicos, mas também não procurei. Acho que eles devem ter para vender. Eu comprei roupas esportivas de várias marcas que são muito parecidas com as originais", disse Juan Fernando Vidal, também chileno e amigo de Aranciba.

Na porta do mercado um grupo de cinco chineses carregando grandes sacos plásticos aguarda pelos turistas que saem do centro comercial.

Demonstrando preocupação com a presença próxima de dois policiais na calçada, o grupo acena discretamente com produtos decorados com os mascotes da Olimpíada, Beibei, Jingjing, Huaiuai, Yingying e Nini.

Na sacola há chaveiros, cordões decorativos para pendurar no celular, pins, bonés e relógios.

"Vendo cinco bonés por 100 yuan (R$ 23). Se o cliente levar mais eu dou desconto", diz Liu Xiao Ping.

"Estou sempre aqui e a polícia não me pára, mas é preciso ter cuidado. Eu fico preocupado e estou de olho. Tenho tomado cuidado para não chamar muito a atenção deles", conclui Liu.

* Os nomes dos vendedores chineses foram trocados, pois eles temem represálias e preferem não se identificar.

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