Produtores voltam a fechar estradas na Argentina

Produtores rurais argentinos bloquearam, nesta sexta-feira, pelo menos três das principais estradas do País, entre elas a rodovia 14, conhecida como rodovia do Mercosul, na localidade de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, por onde passam caminhoneiros do Brasil, Argentina e Uruguai. A fila de caminhões é extensa.

BBC Brasil |

Pressionados pelos caminhoneiros, os produtores liberaram o caminho por alguns minutos e voltaram a bloqueá-lo.

Além dos bloqueios do trânsito, estão sendo realizadas 63 manifestações às margens das rodovias, segundo dados dos líderes dos fazendeiros à imprensa local.

Foi a primeira vez em vários meses que os fazendeiros voltaram a bloquear as estradas, num conflito entre o setor rural e o governo que já completou um ano.

A tensão voltou às estradas argentinas, nesta sexta-feira, um dia depois que a presidente argentina, Cristina Kirchner, assinou um decreto criando um fundo com recursos dos impostos pagos pelos fazendeiros às exportações de soja.

Parte destes recursos, informou a presidente, serão distribuídos entre as províncias do país.

O anúncio de Cristina foi feito minutos antes que embarcara, na quinta-feira à noite, à São Paulo, onde participa de encontro empresarial ao lado do presidente Lula.

"Essa medida é uma provocação. E por que destinar 30% destes recursos às províncias e 70% aos cofres do governo nacional. Por que não o contrário?", disse o presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi.

A decisão presidencial, afirmou ele, pegou os produtores rurais - de diferentes portes - de surpresa. A expectativa, disse Buzzi, era que o governo aumentasse menos os impostos às exportações de soja, apesar de autoridades oficiais terem reiterado que o assunto não faz parte das negociações que recomeçaram há cerca de um mês entre ministros e líderes rurais.

"Estamos nos sentindo usados. Pagamos impostos exagerados, quando muitos produtores estão quebrados no interior do país, e o governo decide, sozinho, o que fazer com nosso dinheiro, resistindo, de novo, a qualquer tipo de conversa", afirmou Mario Llambias, outro líder ruralista, da Confederações Rurais Argentinas (CRA).

Um outro líder, representante dos pequenos produtores, Alfredo de Angelis, que também é da Federação Agrária, disse que o objetivo é "manter uma paralisação por tempo indeterminado".

Na quinta-feira, parlamentares da oposição tentaram discutir as demandas dos produtores rurais no Congresso Nacional, onde o governo é maioria, mas não houve quórum.

Nesta sexta-feira, o ministro do Interior, Francisco Randazzo, criticou a nova medida de força dos fazendeiros.

"Eles não têm o direito a bloquear estradas. Ninguém tem esse direito. Além disso, devem respeitar o governo, que foi eleito para governar", disse Randazzo.

Segundo dados de diferentes institutos privados, a produção agropecuária argentina vem registrando quedas recordes desde o ano passado - seja pela disputa com o setor rural, que inclui mais de cem dias de locaute em 2008, ou pela seca história que arrasou gado e plantações.

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