Buenos Aires, 17 jun (EFE).- As organizações agropecuárias da Argentina destacaram positivamente hoje a decisão do Governo de enviar ao Parlamento um projeto sobre os impostos às exportações de grãos, mas disseram que precisam analisar a fundo a iniciativa antes de decidirem como seus protestos terão continuidade.

"Como atitude, é válido, (mas será preciso) ver o conteúdo e alcances do projeto. (...) Hoje há um avanço. É um gesto de reconsideração ao papel do Congresso", disse em entrevista coletiva o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi.

A presidente argentina, Cristina Fernández, decidiu enviar ao Congresso um projeto de lei sobre os impostos às exportações de grãos decretados pelo Executivo em 11 de março, os quais geraram a atual crise com o campo.

Por sua vez, o titular da Sociedade Rural, Luciano Miguens, disse que as organizações agropecuárias continuarão "discutindo" os impostos no âmbito parlamentar.

Porém, frisou que, ao mesmo tempo, as entidades continuarão insistindo na reabertura do diálogo com o Governo, até conseguirem uma política integral para o setor.

Segundo Buzzi, até amanhã, as entidades estudarão o projeto de lei de Cristina, as ações a serem seguidas e a reação das bases agropecuárias.

Nessa reunião, também será decidida a continuidade ou não do quarto boicote comercial promovido pelos produtores em três meses, o qual, em princípio, terminará na meia-noite de quarta-feira.

As organizações agropecuárias também convocaram os produtores a uma jornada pacífica e de caráter reflexivo nesta quarta-feira, dia em que o Governo também promoverá um ato em Buenos Aires em apoio a Cristina.

Por sua vez, o titular das Confederações Rurais Argentinas, Mario Llambías, disse que o projeto de lei enviado hoje ao Parlamento lhe gera "algumas dúvidas". Segundo disse, é importante que os tributos sejam debatidos, e não só ratificados, como o propõe a iniciativa do Governo. EFE nk/sc

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