Produtores rurais vão parar de novo na Argentina

Em mais um capítulo do conflito entre o governo da Argentina e os agricultores, os principais produtores rurais do país anunciaram uma nova parada nacional que começará nesta sexta-feira. A nova parada foi anunciada pelo diretor da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, que explicou que a situação de agravou por causa do aumento dos custos do setor agrário.

BBC Brasil |

Durante esses dias se interromperá a comercialização de grãos e quase todo o rebanho. Durante o protesto, não haverá bloqueio de estrada.

Também haverá manifestações no interior do país. A paralisação terminará na quarta-feira da próxima semana, com um ato em San Pedro.

"O governo ignora de novo nossos chamados. Não se pode ignorar o agravamento da situação dos produtores por força dos custos, ligados aos preços do petróleo e da queda dos preços devido à crise financeira internacional", disse Biolcati.

Ao descontentamento dos últimos meses se somam à preocupação da situação dos produtores pela seca que atinge a maior parte da área cultivável do país, e a incerteza econômica que gera a crise financeira dos Estados Unidos.

Fim de impostos

Os agricultores pedem um plano nacional que os dê maior rentabilidade e protestam pela falta de uma política agropecuária do governo.

Além disso, exigem o fim dos impostos às exportações de grãos.

"Queremos a eliminação pura e simples das retenções (impostos às exportações)", disse Biolcatti.

Outra demanda é por maior ajuda estatal para comprar maquinarias e insumos, cujos preços são internacionalizados e em dólares.

Como resposta, o governo tomou medidas como fornecimento de subsídios para produção de leite e carne e restituição de impostos para pequenos agricultores.

Ainda assim, os produtores não consideram essas medidas suficientes.

Greve

O anúncio de terça-feira se une ao largo litígio entre o setor agrícola argentino e o governo da presidente Cristina Kirchner.

Neste ano, milhares de produtores rurais realizaram uma greve de quatro meses em repúdio a um projeto da presidente de aumentar os impostos e as exportações de soja, entre outros grãos e cereais.

Ao final da greve, os ruralistas conseguiram fazer com que o Congresso derrubasse o projeto de "retenções móveis". A derrota no Parlamento provocou uma crise política no governo, que culminou na substituição de funcionários chave, como o chefe do Gabinete e o secretário de Agricultura.

O protesto é impulsionado por agricultores, entre eles os produtores de soja, grão que ocupa 50% da superfície do país e que, graças aos altos preços dos mercados internacionais, gera recursos de quase US$ 24 bilhões por ano.

A Argentina é o terceiro produtor mundial deste cultivo.

Segundo estimativas, o conflito no campo derrubou a popularidade da presidente Argentina de 50% para 25%.

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