Produtores rurais da Argentina suspendem paralisação

Por Karina Grazina BUENOS AIRES (Reuters) - Os produtores agropecuários da Argentina decidiram nesta quarta-feira suspender uma paralisação de três semanas que causou o desabastecimento de alimentos e disparou uma das piores crises políticas dos últimos anos no país.

Reuters |

Em uma assembléia realizada ao lado de uma das centenas de estradas bloqueadas por 21 dias contra um aumento de impostos, as entidades rurais informaram que deram início a uma trégua de um mês para recomeçar as negociações com o governo, que classificou o boicote como 'golpista'.

A manifestação contra a alta no tributo às exportações de grãos afetou centenas de cidades, o que provocou a perda de toneladas de alimentos e deixou muitos supermercados com as gôndolas vazias de laticínios, verduras e carne bovina.

'Esta luta não termina hoje. Hoje é um ponto de inflexão, mas esta luta continuará até a vitória', disse Juan Echeverría, representante dos Produtores Autoconvocados a uma multidão nas imediações da cidade de Gualeguaychú, na província Entre Ríos.

O fim da paralisação aconteceu um dia depois de o clima político do país ter piorado, quando a presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, comparou os dirigentes rurais com os empresários que apoiaram o golpe de 1976 que abriu o caminho para uma sangrenta ditadura.

O governo havia anunciado dias atrás benefícios para os produtores agrícolas de médio e pequeno portes em uma tentativa de encerrar o pior conflito no país nos últimos anos, mas os representantes do campo não os consideraram suficientes.

A paralisação protagonizada tanto por pequenos quanto grandes produtores, provocou o aumento dos preços internacionais de grãos devido ao congelamento das exportações de cereais da Argentina, um dos maiores produtores de bens agrícolas do mundo.

'Provavelmente a partir de hoje vamos abastecer as cidades, porque não somos insensíveis, porque não somos golpistas, porque somos parte do povo, mas vamos buscar outra maneira de luta', disse Echeverría.

O protesto do campo recebeu o apoio de parte da população, que na semana passada saiu às ruas para protestar contra as medidas oficiais.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG