Produtores rurais argentinos mostram otimismo após reunião

Por Nicolás Misculin BUENOS AIRES (Reuters) - Os produtores rurais argentinos consideraram positiva a reunião que tiveram na sexta-feira com o governo, após uma longa paralisação agrária que provocou o primeiro terremoto político do governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner.

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Com o objetivo de dar início ao diálogo entre as partes, os produtores rurais suspenderam na semana passada a paralisação de três semanas que gerou falta de alimentos em várias cidades do país e a suspensão das exportações agropecuárias.

'Foi uma reunião em que se falou com muita sinceridade das duas partes e foi positiva', afirmou Mario Llambías, presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), em entrevista coletiva após a reunião.

'Esperamos que...encontremos as soluções que não tenho dúvidas que a presidente e os argentinos querem', disse ele, presidente de uma das quatro associações rurais que lançaram o protesto, acrescentando que na segunda-feira voltarão a se reunir com o chefe de gabinete, Alberto Fernández.

Os representantes do campo asseguraram que não pensam em voltar com a paralisação pelo menos até o fim da trégua de 30 dias decidida na semana passada.

Apesar de os dirigentes agropecuários terem manifestado que houve discordâncias na reunião com a presidente, também colocaram pontos em comum.

'Concordamos que faz falta outra política agropecuária na Argentina. É preciso pensar nos pequenos e médios produtores.

Concordamos que faz falta mais produção de carne, de leite, de suínos', declarou Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina (FAA).

SEM VOLTAR ATRÁS

Antes da reunião, o governo havia adiantado que não voltaria atrás na decisão de aumentar o imposto sobre as exportações -- conhecido como retenção -- de grãos e seus derivados.

'Não é nisso que estamos pensando, definitivamente', disse a uma rádio argentina o chefe de gabinete ao ser questionado sobre se as autoridades poderiam anular a medida.

'As retenções variáveis são um critério mais equitativo porque, quando o preço (das matérias-primas baixa), as retenções baixam, e quando o preço sobe, as retenções sobem', acrescentou ele, segundo a agência de notícias DyN.

Os produtores reclamam que o novo sistema implica uma forte alta taxa cobrada sobre a venda de soja e sementes de girassol.

A paralisação do setor agrícola incluiu manifestações de rua e bloqueio de estradas, impedindo que alimentos e outros produtos chegassem às cidades e gerando enfrentamentos com os caminhoneiros.

A Argentina é um dos maiores fornecedores mundiais de grãos e de carne bovina.

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