Produtores rurais anunciam paralisação na Argentina

Os produtores rurais argentinos anunciaram, nesta terça-feira, a paralisação, a partir de sexta-feira, do comércio de grãos e bovinos, com destino ao setor industrial e às exportações. Segundo Carlos Garetto, da Confederação Intercooperativa Argentina de Agropecuárias (Conigraro), a greve terá duração de uma semana.

BBC Brasil |

"Interpretamos o mal estar que se vive no campo e decidimos adotar estas medidas", disse Garetto ao ler um comunicado assinado pelas quatro principais confederações agropecuárias do país.

De acordo com ele, a "gota d'agua" foi o anúncio, nesta terça-feira, da decisão do governo da presidente, Cristina Kirchner, de vetar um artigo da lei de emergência agropecuária que reduzia impostos para os produtores das regiões afetadas pela recente e histórica seca.

A medida tinha sido aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado. Na última semana, o debate no Congresso Nacional já tinha provocado protestos de alguns grupos do setor rural.

"O governo não fez a leitura correta dos resultados das urnas", disse Pablo Orsolini, da Federação Agrária Argentina.

Abastecimento

Os representantes das quatro conferedações agropecuárias - Garetto, Orsolini, Mario Llambias, representante das Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Hugo Biolcati, da Sociedade Rural - descartaram que o protesto afetará o abastecimento no país.

"Não haverá desabastecimento. Mas queremos alertar para a situação que vivem hoje os produtores, com muitas regiões em situação terminal. Em algumas regiões ainda não choveu depois da seca. A situação é desastrosa", afirmou Orsolini.

O setor rural, reunido pelas quatro entidades, enfrenta fortes diferenças com o governo de Cristina Kirchner desde o ano passado.

Na época, o governo defendeu o aumento dos impostos para as exportações de grãos, mas a medida foi derrotada com o voto do vice-presidente da República e presidente do Senado, Julio Cobos.

A medida de aumento dos impostos às exportações provocou bloqueios nas estradas do país, desabastecimento em algumas regiões e panelaços nas cidades, inclusive na capital, Buenos Aires.

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