Trinta e dois países produtores de leguminosas, entre eles a Índia e a China, trabalham há seis meses em um programa de cem milhões de dólares para ajudar o Haiti e países africanos afetados pela fome a melhorar suas técnicas de agricultura.

Guy Coudert, o diretor da Confederação internacional do Comércio e da indústria de Leguminosas (CICILS), com sede em Paris, informou à AFP que trabalha há seis meses num plano de ajuda para o Haiti e aproximadamente 30 países africanos.

Este plano envolve o envio de técnicos, principalmente brasileiros e porto-riquenhos ao Haiti e de franceses à África.

No que se refere à África, Coudert ressaltou que o programa previsto é "gigantesco e está destinado essencialmente aos países onde há água, em zona tropical, assim como em países do Sahel onde existem poços".

No caso do Haiti, "pode-se fazer alguma coisa, mas vai levar tempo", afirmou o responsável pelo CICILS confirmando que 32 países membros da ONU serão responsáveis pelo financiamento do programa, além da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

A ajuda consiste basicamente em fornecer "sementes e em introduzir técnicas de produção".

"No Haiti vamos nos concentrar na produção de feijões, pretos e vermelhos. Ensinaremos a cultivá-los e a armazená-los", explicou o responsável.

Coudert deixou clara a importância da técnica de armazenamento citando o caso da Índia, onde "se perde entre 10% e 15% da safra por problemas de armazenamento, devido à ação do mofo e de ratos".

Alexandre Cherki, vice-presidente da CICILS, explicou que anteriormente as ajudas eram doadas ao Comitê internacional da Cruz Vermelha, à Comunidade Européia ou à organizações como a holandesa Euronext.

Atualmente, "tudo é centralizado pelo programa alimentar mundial que compra diretamente dos produtores locais" e leva em consideração à cultura local.

"Assim, durante o período de fome na Etiópia, fomos obrigados a retirar do país centenas de toneladas de feijões e lentilhas que não eram consumidos, por causa do costume alimentar local", lembrou Cherki.

Nas últimas semanas no Haiti, pelo menos cinco pessoas morreram, umas 200 ficaram feridas e foram registrados danos materiais durante revoltas causadas pela fome.

Na Mauritânia, Camarões, Costa do Marfim, Burkina Faso e Senegal foram registradas várias revoltas pelo mesmo motivo, desde 2007.

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