Produção de cocaína está no menor nível em 5 anos, diz ONU

A produção de cocaína no mundo caiu ao nível mais baixo nos últimos cinco anos, segundo o relatório anual do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), divulgado nesta quarta-feira.

BBC Brasil |

Depois de atingir o ponto mais alto e superar mil toneladas em 2004, níveis que se mantiveram nos três anos seguintes, a produção mundial da droga foi estimada em 845 toneladas no ano passado, afirmou o relatório.

A queda foi de 15% em relação à produção de 994 toneladas estimada em 2007. "Tal redução se deve a uma forte redução na produção de cocaína na Colômbia (28%), que não foi compensada pelos aumentos na Bolívia (6%) e no Peru (4%)", explicou o estudo.

Segundo o levantamento, a queda na produção ocorre paralelamente a uma redução ou sinais de estabilização no consumo da droga nos Estados Unidos e na Europa, embora tenha aumentado no Brasil e no resto da América do Sul, os mercados mais próximos das regiões produtoras.

"O mercado global de cocaína, que movimenta US$ 50 bilhões, está passando por mudanças sísmicas", disse, em um comunicado, o diretor-executivo do UNODC, Antonio Costa.

"Os índices de pureza e o número de apreensões (nos principais países consumidores) estão diminuindo, os preços estão aumentando, e os padrões de consumo estão em evolução. Isso pode explicar o terrível aumento nos índices de violência em países como o México. Na América Central, os cartéis estão disputando um mercado em retração."

A área plantada da folha de coca, necessária para fazer a pasta-base da cocaína, também diminuiu: 8% no ano passado em relação ao ano anterior, sendo que 18% na Colômbia. Porém, a área plantada em 2008 ainda seguia maior que nos quatro anos anteriores a 2007.

Mercado bilionário

Estimativas do UNODC indicam que o mercado da droga movimenta US$ 320 bilhões por ano. O relatório apontou que a maconha continua sendo a droga mais cultivada e consumida em todo o mundo, com uma estimativa de número de usuários que variou entre 140 milhões e 190 milhões de pessoas no ano de 2007.

Essas estimativas para a cocaína foram, por exemplo, 16 milhões a 21 milhões, sendo que 5,7 milhões só nos Estados Unidos. O Brasil tem 890 mil usuários da droga, estima a ONU.

O estudo verificou uma "redução animadora" também na produção de heroína, principalmente por conta da redução de 16% da área plantada de papoula, a matéria-prima, sobretudo no Afeganistão. Por outro lado, o escritório alertou para uma "piora" no "problema global com estimulantes do tipo anfetamina".

No prefácio do estudo, Antonio Costa reafirma a questão da droga como um problema de saúde pública, mas rejeita os clamores por uma descriminalização das drogas, iniciativa que ele qualifica de "erro histórico".

"A legalização não é uma varinha mágica que acabaria tanto com o crime organizado quanto com o abuso de drogas", ele afirmou. "A sociedade não deve ter de escolher entre priorizar a saúde pública ou a segurança pública: ela pode e deve optar por ambas."

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