Produção de açúcar em Cuba cai para níveis de 1905

Anúncio de governo ocorre dias depois da demissão de vice-presidente do Conselho de Ministros e de ministro do setor açucareiro

iG São Paulo |

AFP
Vendedora de produtos espera chegada de produtos em Havana em 2 de maio
A safra de açúcar cubana deste ano é a pior desde 1905, quando Cuba produziu 1,2 milhão de toneladas do produto, anunciou nesta quarta-feira o jornal oficial cubano Granma. O anúncio foi feito dois dias depois de o governo de Raúl Castro ter demitido o ministro do setor, Luis Manuel Ávila, por "deficiências em seu trabalho".

Além da demissão de Ávila, o governo de Raúl anunciou também na segunda-feira a destituição do vice-presidente do Conselho de Ministros e chefe dos Transportes, Jorge Luis Sierra Cruz - sendo sua renúncia justificada por "erros cometidos no desempenho de suas funções".

"Desde 1905 o país não registrava uma campanha açucareira tão pobre", afirmou o jornal, indicando que algumas das causas para o atual cenário são a ineficiência crônica e um elevado grau de imprecisões e voluntarismo. A indústria açucareira cubana foi por séculos crucial para a economia nacional. Em 2002, no entanto, seu potencial caiu pela metade para que o preço do produto pudesse ser nivelado aos valores mundiais.

AP
Ex-ministro dos Transportes de Cuba Jorge Luis Sierra
Não há dados oficiais sobre qual é a previsão de produção para a safra 2009-2010, mas diversos analistas a situavam em torno de 1,4 milhão de toneladas, similar ao do ano anterior, quando a ilha caribenha faturou US$ 600 milhões. A soma é bem menor do que os US$ 4 bilhões que o país conseguia quando o açúcar era sua principal fonte de divisas e seu principal produto de exportação.

Segundo o Granma, faltando pouco mais de um mês para a conclusão da temporada, há uma queda de 230 mil toneladas em relação à safra anterior. Por causa disso, especialistas estimam que a produção deste ano deve ficar em 1,1 milhão ou ainda menor.

Como dados de comparação, em 1924 a safra foi de 4,2 milhões de toneladas; em 1958, de 5,6 milhões; e em 1990, último ano de parceria com a ex-União Soviética, a produção superou 7,8 milhões de toneladas.

Demissões

Não bastassem os problemas na indústria do açúcar, as demissões desta semana em Cuba sugerem que o cenário político anda turbulento no país. As destituições de González e Sierra ocorreram dois meses depois da demissão do general Rogelio Acevedo, que durante 20 anos foi chefe do Instituto de Aeronáutica Civil.

Sierra, além de ministro dos Transportes e vice-presidente do Conselho de Ministros, também era membro da cúpula do Partido Comunista. Com 49 anos, era discreto e considerado um dos nomes da geração intermediária que tinha o apoio do presidente cubano.

*Com informações da Ansa e do jornal espanhol El País

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