Roma, 12 abr (EFE).- Romano Prodi disse adeus à vida política italiana, da qual foi um dos protagonistas por mais de uma década, para dar lugar a novas gerações, após ter sido adversário histórico do magnata Silvio Berlusconi e de ser primeiro-ministro em duas breves oportunidades.

O adeus de "Il Professore" (O Professor), como é chamado, tem um gosto amargo, depois de o Parlamento ter negado voto de confiança a seu Governo em 24 de janeiro último. O fato levou a um pedido de renúncia de Prodi ao cargo de premiê.

O veto do Parlamento se deveu a um racha no Senado, depois de o pequeno partido União Democrática pela Europa (Udeur), de caráter democrata-cristão, decidiu abandonar a Coalizão União, governista de centro-esquerda.

"Acabo para a política italiana", anunciou Prodi, atualmente primeiro-ministro interino - à espera do resultado do pleito de amanhã e segunda-feira para deixar o poder.

Sempre otimista, o dirigente declarou, no entanto, que "o futuro é sempre belo", que "o mundo está cheio não só de oportunidades mas também de deveres", e que "há muita gente que espera uma palavra de paz e de ajuda".

Prodi, de 68 anos, liderou dois Governos: o atual, que durou apenas 20 meses, e um primeiro de 1996 a 1998, quando pertencia à coalizão de centro-esquerda Oliveira e caiu devido a uma perda de apoio externo por parte do movimento Refundação Comunista.

Professor de Economia, Prodi é um homem discreto, católico, e moderado de esquerda que deixa a política italiana de forma discreta, sem uma grande despedida.

"A fase da unidade da centro-esquerda foi superada e agora chegou a vez de outros conduzirem a tocha. Meu trabalho é dar espaço às novas gerações e, se possível, ajudá-las", afirmou Prodi recentemente.

No entanto, o atual premiê interino luta até o último momento para manter de pé sua complexa coalizão de 16 partidos e sempre declara que, apesar das evidentes divisões internas na base governista, seu Governo fazia parte de um projeto para cinco anos.

O obstinado "professor" não quis apresentar sua renúncia quando governar se tornou algo insustentável, já sem o apoio do pequeno Udeur, liderado por seu próprio ministro da Justiça, Clemente Matella, e preferiu encarar o resultado de um voto de confiança.

Uma das últimas heranças de Prodi é seu empenho na formação do Partido Democrata (PD), liderado por Walter Veltroni, de 52 anos, e grande adversário de Berlusconi nas atuais eleições legislativas.

O PD surgiu da fusão entre o Democratas de Esquerda (DS) - herdeiro do Partido Comunista Italiano (PCI) - e o Margarida, de centro. O objetivo da nova legenda é pôr fim à grande divisão entre os grupos políticos do país.

Prodi foi, na última década, o grande rival de Berlusconi, de 71 anos e magnata do setor de telecomunicações italiano, além de presidente do clube de futebol Milan. Ambos têm entre si uma forma muito diferente de se fazer política.

Além de seu currículo no âmbito nacional, Prodi foi presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), cargo que exerceu de 1999 a 2004.

Prodi se despediu de seus parceiros políticos internacionais no último dia 4. Na condição de chefe interino do Governo italiano, participou da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bucareste, dizendo na ocasião à imprensa que voltaria a exercer funções de economista. EFE cr/fr

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