México, 27 out (EFE).- A Procuradoria-Geral do México admitiu hoje que o cartel dos irmãos Beltrán Leyva se infiltrou na entidade e subornou altos funcionários encarregados da luta contra o crime organizado.

"Não há tolerância ao crime nem tolerância às cumplicidades da corrupção", disse à imprensa o procurador-geral do México, Eduardo Medina Mora.

O procurador-geral destacou que os Estados Unidos colaboraram com o México na identificação de funcionários corruptos da Subprocuradoria de Investigação Especializada no Crime Organizado (Siedo, em espanhol), vários dos quais já estão indiciados.

"Esta investigação ainda não é conclusiva, e é necessário seguir mais linhas de trabalho e fazer comparecer outras pessoas que aparentemente também obtiveram informação sigilosa para fins alheios ao serviço público", acrescentou Medina Mora.

Segundo a coordenadora-geral da Siedo, Marisela Morales, os funcionários envolvidos "recebiam pagamentos que variavam de US$ 150 mil a US$ 450 mil anuais" do cartel dos Beltrán Leyva.

Até o momento, cinco pessoas estão sendo acusadas e 35 foram afastadas de seus cargos com base em decisões judiciais baseadas em registros, documentação, perícias e depoimentos recolhidos pela Siedo, acrescentou Morales.

O mais alto funcionário a cair é o ex-diretor-geral adjunto de Inteligência da Siedo Fernando Rivera Hernández que está preso e à disposição de um juiz desde 4 de agosto, quando foi constatado que recebia dinheiro do cartel Beltrán Leyva, disse Medina Mora.

O ex-funcionário tinha "comando direto sobre os elementos da Agência Federal de Investigação (AFI)" da Siedo e vinha realizando a atividade há "pelo menos um ano e meio".

Além de dois altos comandantes, há três agentes federais envolvidos e uma quarta pessoa, que está foragida.

Após revelar a trama, o procurador-geral mexicano anunciou um "relançamento de procedimentos" para a custódia de informação na Siedo.

Também disse que a Procuradoria-Geral seguirá a pista de outras pessoas envolvidas neste ato de corrupção.

O jornal "El Universal", que traz uma manchete na primeira página sobre o tema, informa que a rede de corrupção existia pelo menos desde 2004 e que a mesma comprometeu importantes investigações e ações contra o narcotráfico no México, que este ano causou 4 mil assassinatos no país. EFE act/wr

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