Procuradoria do Irã acusa EUA e imprensa de conspiração contra Ahmadinejad

Teerã, 14 set (EFE).- O Irã retomou hoje o julgamento contra os supostos responsáveis pelos distúrbios após as eleições presidenciais do dia 12 de junho, com uma dura alegação contra os Estados Unidos, país acusado de utilizar a internet e a imprensa para formar uma conspiração contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad.

EFE |

Segundo a imprensa local, a sessão começou com uma declaração do juiz, que pediu à imprensa oficial que não revelasse os nomes dos seis acusados que compareceram à audiência nesta segunda-feira, um procedimento que não foi determinado nas quatro anteriores.

Também não foram divulgadas imagens dos acusados, como ocorreu nas outras sessões.

No entanto, a agência oficial de notícias "Irna" anunciou que um dos processados é um líder reformista estudantil que responde pelo nome de Abdulah Momeni.

Em seguida, o vice-procurador-geral de Teerã, Ali-Ahmad Akbari, começou a leitura de uma longa ata de acusação na qual atribuiu à Administração americana uma campanha na internet de descrença no regime iraniano.

"Desde sua fundação, a Revolução Islâmica fez frente a todo tipo de ataques da imprensa orquestrados por seus inimigos", afirmou Akbari, citado pelo site da televisão estatal "PressTV".

"Inimigos internos e externos sempre tentaram empreender uma guerra psicológica contra a República Islâmica divulgando rumores", acrescentou.

Neste sentido, Akbari argumentou que a última dessas conspirações aconteceu graças às novas tecnologias, durante os protestos que explodiram em junho, contra a reeleição de Ahmadinejad, que a oposição reformista denuncia como fraudulenta.

"Durante os eventos após as eleições, a internet foi uma ferramenta efetiva para organizar as manifestações e disseminar informação falsa", denunciou.

"As redes sociais, como o Facebook, foram capazes de atrair mais de 200 milhões de usuários. Os EUA se fixaram nessas redes e estabeleceram vínculos entre elas e os movimentos hostis", afirmou.

Além de usar sites como o YouTube e o Facebook, ambos bloqueados no Irã, para "influenciar o povo iraniano", os EUA também se apoiaram na imprensa tradicional, denunciou Akbari.

Com o objetivo de alcançar seu verdadeiro objetivo, que era debilitar o sistema iraniano, os EUA disseminaram o pânico através da imprensa e ganharam o apoio de "sabotadores e jornalistas", afirmou.

Sobre isso, criticou a política informativa na internet de veículos como a televisão britânica "BBC" ou a emissora em persa "Radio Farda", além dos métodos utilizados por estes e outros meios de comunicação, nacionais e estrangeiros.

"A publicação de falsas reportagens, a cobertura de temas que encorajavam as tensões, a difusão de declarações infundadas de responsáveis e a reprodução de comunicados e opiniões de candidatos opositores são alguns desses métodos", disse.

Esses métodos foram igualmente copiados por partidos políticos, que criaram relatórios em persa e divulgaram vídeos e imagens na internet para influenciar o público, disse Akbari.

Aproximadamente 30 pessoas morreram, segundo números oficiais, e cerca de 4 mil foram detidas durante os sangrentos distúrbios.

A oposição reformista sobre para 72 o número de vítimas fatais e denuncia torturas e violações, alegações negadas categoricamente pelo regime.

Durante os protestos, o Irã expulsou o correspondente permanente da "BBC" em Teerã, John Layne, e prendeu vários jornalistas que trabalhavam para a imprensa estrangeira.

O tribunal revolucionário de Teerã deu início a um julgamento em massa no início de agosto contra mais de 100 pessoas, muitas delas reformistas, acusadas de instigar os protestos e participar de uma suposta conspiração convocada do exterior.

Entre os processados estão ex-ministros e antigos ocupantes de altos cargos dos dois Governos de abertura consecutivos, liderados pelo ex-presidente Mohamad Khatami, entre 1997 e 2005.

Além disso, também foi julgada a cidadã francesa Clotilde Reiss, acusada de espionagem e conspiração, que se encontra na residência do embaixador francês em Teerã à espera de um veredicto, após ser liberada através do pagamento de uma fiança de 215 mil euros. EFE jm/pd

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