Procurador-geral acusa ministro boliviano de genocídio

La Paz, 31 jul (EFE) - O procurador-geral da Bolívia, Mario Uribe, acusou hoje de genocídio o ministro de Governo (Interior), Alfredo Rada, e vários ex-chefes policiais pelas três mortes e as centenas de feridos em uma revolta em Sucre (sul) em novembro de 2007.

EFE |

A Promotoria apresentou à Corte Suprema de Justiça, com sede em Sucre, o requerimento acusatório contra o ministro e seus assessores mais diretos por genocídio em forma de "massacre sangrento", segundo um boletim dessa entidade.

A lei boliviana pune com penas de prisão de 10 a 20 anos os crimes de genocídio, que contempla em duas modalidades, uma delas "massacre sangrento", que é o que o procurador acredita que aconteceu em 24 de novembro em Sucre.

Naquele dia, habitantes de Sucre enfrentaram à Polícia em protesto contra a Assembléia Constituinte impulsionado pelo Governo e que tinha retirado da agenda a questão da capital do país e o retorno dos poderes do Estado a essa cidade.

O protesto terminou com três mortos e cerca de 300 feridos, dos quais agora o procurador-geral Rada e o ex-comandante geral da Polícia Miguel Vásquez; ao coordenador-geral da força, Jorge Espinoza; e ao ex-comandante da Polícia Departamental de Chuquisaca José Galván.

O ministro, em entrevista coletiva, qualificou hoje a acusação da Procuradoria como um "acionar claramente politizado e parcializado" que pretende manchar o Governo de Evo Morales.

Rada afirmou que não é a primeira vez que a Procuradoria pretende acusar autoridades nacionais e questionou a oportunidade da medida que, disse, "casualmente" ocorre a poucos dias do referendo revogatório de 10 de agosto e da visita do presidente Morales à cidade de Sucre.

"Não queríamos crer que esta ação política da Procuradoria esteja buscando aquecer o ambiente em Sucre para evitar a visita do presidente", argumentou.

Sobre a acusação, destacou que o Executivo ratifica que nem as autoridades governamentais nem qualquer chefe policial "autorizaram o uso de armamento letal nos fatos de Sucre", ao acusar os líderes civis dessa região de ser os promotores da violência.

A Procuradoria boliviana informou que, após apresentar a acusação, cabe ao Congresso do país autorizar o processamento penal dos implicados que gozam de privilégios constitucionais pela hierarquia de seus cargos. EFE rs/db

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