Procurador boliviano acusa de complô o principal opositor de Evo Morales

O procurador de justiça boliviano Marcelo Sosa envolveu o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas - considerado o principal opositor do presidente Evo Morales -, e líderes cívicos dessa região com um grupo de milicianos que presumivelmente planejava atentados contra o presidente.

AFP |

Segundo o promotor, Costas e os empresários Branko Marinkovic, Mauricio Roca e Guido Nayar - proeminentes líderes regionais - apoiaram uma célula formada por cinco milicianos, desmantelada no dia 16 de abril, liderada por Eduardo Rózsa um boliviano também com nacionalidades húngara e croata, que morreu durante a operação policial.

As acusações foram baseadas no depoimento de uma testemunha, Ignacio Villa, que denunciou ter recebido ofertas em dinheiro e presentes de Costas e Marinkovic para realizar uma campanha de terror em Santa Cruz, capital da região mais rica da Bolívia e feudo da direita, com a colocação indiscriminada de explosivos.

O governo Morales saiu nesta terça-feira reforçando a ideia de um complô secessionista em Santa Cruz - região responsável por 30% do PIB boliviano liderada por políticos e empresários considerados duros adversários do presidente.

Marinkovic, rico empresário do ramo de óleo, descendente de crotas e ex-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz - um poderoso conglomerado político-empresarial - negou as acusações, considerando-as parte de uma montagem elaborada pelo governismo.

"É uma montagem do Governo, como tudo o que vem fazendo", afirmou Marinkovic dizendo que "neste momento não confio na justiça do MAS (o governante Movimento Ao Socialismo)", segundo o jornal El Deber.

O governo de Santa Cruz, através de seu secretário-geral, Roly Aguilera, desestimou as acusações e as considerou contraditórias.

"Disseram primeiro que o grupo de milicianos ia atentar contra a vida do governador Costas, agora dizem que ele próprio financia esta célula", afirmou Aguilera em entrevista a canais locais de televisão.

De acordo com a primeira versão do governo, quando anunciou ter desmantelado a célula "terrorista", numa operação que deixou três mortos e dois detidos, o grupo queria praticar atentados contra Morales e contra Costas.

Desde que assumiu a presidência, em janeiro de 2006, Morales vem tendo uma forte oposição da parte das autoridades de Santa Cruz, que impulsionam um projeto para dotar-se de maior autonomia econômica e política - uma iniciativa que o governo central combate.

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