Procurador afirma que Bashir enfrentará TPI, mesmo que julgamento leve anos

Johanesburgo, 12 jun (EFE).- O presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, comparecerá ao Tribunal Penal Internacional (TPI), mesmo que o julgamento leve anos, segundo declarações do procurador-chefe do órgão, Luis Moreno Ocampo, para a imprensa sul-africana.

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Moreno Ocampo disse, na Cidade do Cabo, onde participa do Fórum Econômico Mundial para a África, que Bashir "será processado" e, por isso, "o Governo do Sudão tem a obrigação legal de prendê-lo" por supostos crimes de guerra e de lesa-humanidade, na região sudanesa de Darfur.

O procurador-chefe do Tribunal de Haia acrescentou que Bashir terá que comparecer perante a justiça internacional, "mesmo que o julgamento leve dois meses, dois anos ou seis anos". Moreno Ocampo acrescentou que as viagens que o presidente do Sudão realizou, nos últimos meses, a vários países africanos e árabes "mostram a situação desesperadora." Bashir viajou nos últimos três meses, sem enfrentar problemas, ao Catar, Arábia Saudita, Egito, Eritréia, Etiópia, Líbia e Zimbábue.

O TPI emitiu a ordem de detenção contra Bashir em março e, desde então, o Governo do Sudão reiterou que não colaborará com o tribunal, enquanto a União Africana (UA) e a Liga Árabe se negaram a reconhecer a ordem e pediram que o processo seja adiado.

O conflito de Darfur teve início em fevereiro de 2003, quando dois grupos insurgentes se rebelaram contra o regime de Cartum, em protesto pela pobreza e a marginalização que os habitantes da região sofriam.

Desde que começou, cerca de 300 mil pessoas morreram e outros dois milhões e meio foram obrigadas a abandonar suas casas, segundo cálculos da ONU. EFE cho/pd

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