Processos de Guantánamo continuam apesar de ordem de Obama

Por Jane Sutton MIAMI (Reuters) - Os julgamentos por crimes de guerra em Guantánamo continuam oficialmente congelados enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, avalia como realizar os processos contra supostos terroristas, mas vários outros casos judiciais continuam em andamento.

Reuters |

O juiz-chefe do tribunal de Guantánamo, coronel Stephen Henley, ordenou na terça-feira a liberação pública de um documento em que cinco réus repetiam orgulhosamente a confissão de que haviam participado dos planos para os atentados de 11 de setembro de 2001.

Advogados militares ainda continuam protocolando documentos judiciais em outros casos, antevendo que os julgamentos de Guantánamo serão retomados assim que expirar, em 20 de maio, o "congelamento" ordenado por Obama.

Outro juiz já marcou audiências preliminares em Guantánamo para a semana de 6 de julho, no processo contra o tanzaniano Ahmed Khalfan Ghailani, acusado de fornecer equipamentos e apoio para o atentado de 1998 contra a embaixada dos EUA na Tanzânia.

Após tomar posse, em janeiro, Obama ordenou uma suspensão dos procedimentos judiciais durante quatro meses, enquanto seu governo decide se irá transferir os processos de Guantánamo para o Judiciário regular dos EUA (civil ou militar), ou se manterá o tão criticado sistema de tribunais especiais, criado no governo de George W. Bush.

J.D. Gordon, porta-voz do Pentágono, disse que a apresentação de documentos, a divulgação da confissão e o agendamento das audiências não violam a ordem de Obama, que só proíbe a imputação de novas acusações ou a realização de sessões do tribunal de guerra na base naval norte-americana de Guantánamo, encravada em Cuba.

"Estamos em cumprimento com as ordens executivas do presidente", disse Gordon na terça-feira.

Obama determinou que a prisão de Guantánamo seja fechada até janeiro de 2010, como parte dos esforços para restaurar a imagem dos EUA na questão dos direitos humanos. Ele ainda não decidiu o que fazer com os 241 presos restantes, muitos deles mantidos ali há sete anos sem acusação formal.

O Pentágono não explicou por que está mantendo os procedimentos. Críticos acusam os militares de tentarem manter o impulso para que seja mais difícil parar os processos de Guantánamo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG