Processo por assassinato de jornalista russa acontecerá a portas fechadas

Moscou, 19 nov (EFE).- O juiz do tribunal militar da região de Moscou, Yevgeny Zubov, decidiu que o julgamento pelo assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, que começa hoje, acontecerá a portas fechadas.

EFE |

Segundo informou a agência oficial "Itar-Tass", o juiz argumentou sua decisão com o fato de que os júris se negam a entrar na sala na presença da imprensa.

Na segunda-feira passada, o tribunal tinha decidido que as audiências seriam abertas, como tinha solicitado a família e contra a opinião da promotoria, que argumentou que, entre os materiais do caso, existem documentos considerados segredos de Estado.

No entanto, nessa mesma ocasião, o juiz advertiu que a audiência poderia ser a portas fechadas se houvesse ameaças contra os membros do júri.

"Quando surgirem ameaças concretas contra os membros do júri, já será tarde para realizar o julgamento a portas fechadas", disse Zubov, ao explicar sua decisão.

Na véspera, o tribunal escolheu os doze membros do júri popular que deverá emitir um veredicto sobre a culpa ou inocência dos acusados pelo assassinato da jornalista.

O filho da jornalista, Ilya Politkovskaya, denunciou que, "no banco dos réus, só está uma pequena parte dos envolvidos" no assassinato cometido em Moscou, em 7 de outubro de 2006.

O suposto autor material do crime, identificado como Rustam Makhmudov, é objeto de busca e captura internacional, e sua fuga foi muito criticada, particularmente pelo semanário "Novaya Gazeta", onde Politkovskaya trabalhou de 1999 até sua morte.

Enquanto isso, no banco dos réus, estão dois irmãos Makhmudov, como supostos cúmplices, e também o ex-policial Serguei khadzhikurbanov, acusado de ter ajudado no assassinato.

O assassinato de Politkovskaya foi cometido quando a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado pelos colegas dela cinco dias após a morte da jornalista.

Politkovskaya nasceu em Nova York, em 1958, e tinha dupla cidadania (russa e americana).

A jornalista disse várias vezes que tinha recebido ameaças de morte dos serviços secretos russos, do Exército e de outras agências de segurança do Estado, aos quais tinha criticado duramente em seus artigos.EFE egw/an

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