Paris, 12 jul (EFE).- A declaração final que deve ser aprovada amanhã por mais de 40 líderes presentes na Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM), em Paris, está estipulada em 98% e só falta resolver a questão referente ao processo de paz no Oriente Médio, informaram hoje fontes do Palácio do Eliseu.

Os ministros de Relações Exteriores dos 43 países presentes, os 27 da União Européia (UE) e os da margem sul e leste do Mediterrâneo, darão amanhã os últimos toques ao texto, para que possa ser adotado na cúpula que começa pela tarde no Grand Palais.

Os participantes, entre eles representantes de Síria, Líbano, Israel e Autoridade Nacional Palestina, já alcançaram um consenso sobre a co-presidência francesa e egípcia da estrutura resultante da cúpula, que deve relançar a cooperação européia com o Mediterrâneo.

A França propôs uma co-presidência rotatória durante dois anos, com um presidente europeu e outro do sul.

O único país do sul que não está representado é a Líbia, por não querer se sentar à mesma mesa que os israelenses e por suas reservas ao projeto baseado no "Processo de Barcelona", lançado em 1995 pela UE para cooperar com o Mediterrâneo e que Trípoli qualifica de "colonialista".

Também há um consenso sobre a criação de uma secretaria.

Entretanto, sua localização será decidida apenas a reunião de ministros de Relações Exteriores que acontecerá em novembro, segundo as fontes.

Os seis projetos que deverão ser lançados pela cúpula receberam o apoio dos 43 países presentes, entre os quais o único que não está representado por um chefe de Estado ou de Governo é o Marrocos. O rei Mohamed VI será representado por seu irmão, o príncipe Mulay Rachid.

A França, organizadora do encontro, pretende que estes projetos, graças ao seu caráter concreto e a seu impacto na vida cotidiana dos cidadãos, constituam os alicerces para firmar a nova União pelo Mediterrâneo (UPM).

Um dos projetos visa a descontaminação do Mediterrâneo, que sofre sérios problemas por ser um mar fechado com uma forte pressão demográfica em suas margens. Além disso, recebe uma enorme quantidade de dejetos industriais e urbanos em uma das principais rotas de navegação do mundo.

A Cúpula da UPM também propõe a criação de "estradas do mar" entre grandes portos do Mediterrâneo, o desenvolvimento de energia solar nos países do sul e o início de um programa de proteção civil, através do qual se tentará responder a catástrofes como incêndios e terremotos.

A Espanha defende uma iniciativa lançada com o apoio da Itália para iniciar um dispositivo de microcréditos para pequenas e médias empresas de países como Marrocos, Argélia e Egito.

O último dos grandes projetos é a criação de uma universidade comum para fomentar a cooperação nos estudos de terceiro ciclo e na pesquisa, com bolsas de estudos de intercâmbio entre estudantes como as Erasmus na UE.

No entanto, as fontes do Palácio do Eliseu ressaltaram hoje que a iniciativa não só tem uma dimensão econômica, como demonstra a presença em uma mesma de países árabes e Israel.

O presidente Nicolas Sarkozy reuniu-se hoje com presidente do Líbano, Michel Suleiman, e com o da Síria, Bashar al-Assad, que concordaram em estabelecer relações diplomáticas pela primeira vez desde que ambos os países alcançaram a independência.

Amanhã de manhã, será a vez do líder palestino, Mahmoud Abbas, e do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, irem ao Eliseu para reunirem-se com Sarkozy. EFE ik/ab/plc

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