Problemas psicológicos são registrados em 20% dos soldados que retornam do Iraque

Cerca de 20% dos soldados que retornam do Iraque e do Afeganistão, ou seja 300.000, sofrem de problemas psicológicos ou de um estado mais profundo de depressão, enquanto que apenas a metade procura tratamento, indica um relatório da RAND Corporation divulgado nesta quinta-feira.

AFP |

Este estudo do centro de pesquisas norte-americano foi realizado com 1.965 soldados de 24 regiões dos Estados Unidos. Desde outubro de 2001, cerca de 1,6 milhão de soldados foram mobilizados para as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Entre os 20% de veteranos de guerra que apresentam síndromes de estresse pós-traumático (SSPT) e depressão, metade deles testemunhou o momento em que um companheiro morreu ou ficou gravemente ferido.

Cerca de 45% contam que viram corpos de civis mortos ou gravemente feridos, e 10% dizem que eles mesmos foram feridos e hospitalizados.

As taxas de SSPT e de depressão profunda são maiores entre os Marines e o Exército. As mulheres e os hispânicos estão mais sujeitos a sofrer destes problemas, e o fator comum desencadeador de uma depressão ainda é a exposição ao combate.

Quase metade dos soldados que sofrem de problemas psicológicos não procuram tratamento porque temem que isso os prejudicará no momento de procurar um emprego.

E quando procuram ajuda médica, ressalta o estudo, a metade consegue apenas acompanhamento psicológico mínimo.

Os pesquisadores avaliam que as síndromes de estresse pós-traumático e a depressão dos soldados custariam ao país 6,2 bilhões de dólares nos dois anos seguintes ao seu retorno.

Este custo inclui as despesas com tratamentos diretos e também os custos de produtividade perdidos e com os suicídios, indica o relatório que estime que investir em um tratamento de qualidade para estes problemas psicológicos permitiria economizar 2 bilhões de dólares.

Os custos sociais em dois anos com um ex-combatente psicologicamente afetado podem chegar de 6.000 dólares a 25.000 dólares dependendo do caso.

"Se os SSPT e a depressão não são bem tratados, há uma cascata de conseqüências", afirma Terri Tanielian, co-autor do estudo. "Uso de drogas, suicídios, problemas matrimoniais, desemprego são algumas das conseqüências (...) que não são boas nem para os indivíduos nem para a sociedade em geral".

O centro de pesquisas RAND Corporation sugere ao Exército a criação de um sistema de tratamentos mentais que assegure a confidencialidade.

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