Problema de saúde adia extradição de uruguaio da Operação Condor

Rio de Janeiro, 20 jan (EFE).- A extradição para a Argentina do major uruguaio Manuel Juan Cordero Piacentini, acusado de participar do esquema de repressão política entre ditaduras na América do Sul nos anos 70 (Operação Condor), foi adiada hoje por problemas de saúde do militar.

EFE |

Piacentini, que passou os últimos seis meses em prisão domiciliar em Santana do Livramento (RS), foi abordado em casa ontem pela Polícia Federal. Porém, como disse se sentir mal, os policiais o levaram para um hospital onde segue internado.

"Até o momento em que nos recebeu, parecia estar bem, mas em seguida se queixou de falta de ar e dores no peito", disse o delegado Alessandro Maciel Lopes à "Agência Brasil".

Piacentini, que se aposentou com o posto de major, tinha apelado na segunda-feira perante o Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a extradição à Argentina.

Ele permanece desde terça-feira na Casa de Saúde de Santana do Livramento, onde, segundo a "Agência Brasil", passará por exames para comprovar seu estado de saúde.

"O critério para escolha do hospital para onde ele será removido será de acordo com o tratamento necessário, a ser definido pela equipe médica", explicou o delegado, que não descartou a possibilidade de o detido ser levado para um hospital de Porto Alegre.

De acordo com o delegado, no momento em que os policiais chegaram na casa, o militar "demonstrou reações físicas que só um médico poderia avaliar".

Alessandro Maciel Lopes explicou que, como o acusado tem 70 anos e já passou por várias cirurgias, foi necessário muito cuidado para evitar maiores problemas.

Fontes judiciais argentinas tinham informado esta manhã da extradição do militar uruguaio à Argentina, onde se prevê que o juiz federal Norberto Oyarbide (Buenos Aires) o interrogue.

Detido no Brasil em 2007, Piacentini apresentou um recurso para interromper o processo de extradição, ao considerar que deve ser aplicada a lei de anistia do Brasil (1979,) pela qual foram perdoados os crimes cometidos pela ditadura.

O STF aprovou em agosto passado a extradição à Argentina, onde o ex-major é acusado do desaparecimento de dez pessoas, do sequestro de um bebê e de 32 casos de torturas.

A extradição também foi inicialmente solicitada pelo Uruguai, mas o pedido foi rejeitado pelo fato de os crimes terem sido cometidos na Argentina.

Em janeiro, os advogados do militar apresentaram dois recursos de habeas corpus, um para tentar anular o julgamento de extradição e outro para que ele fosse a Porto Alegre para uma operação cardíaca.

A defesa alega que o militar não foi acusado formalmente em nenhum tribunal da Argentina e que, na solicitação de extradição, foi omitido o compromisso de não aplicar a prisão perpétua, o que descumpriria os tratados entre ambos os países. No Brasil, a pena máxima é de 30 anos de prisão. EFE joc/rr

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