Prisões afegãs são santuários para militantes, diz general dos EUA

CABUL - As prisões afegãs se tornaram um santuário e centro de recrutamento para militantes islâmicos, e muitas delas estão agora sob firme controle do Taleban, disse o comandante das forças ocidentais no país em um relatório confidencial.

Reuters |

Uma versão de 66 páginas, excluindo trechos mais sigilosos, foi obtida pelo jornal The Washington Post e publicada nesta segunda-feira.

Nesse texto, o general Stanley McChrystal afirma que mais de 2.500 insurgentes, que formam parte da população prisional de 14,5 mil presos afegãos, usam as instalações carcerárias como um santuário onde radicalizam não-insurgentes, e que dali preparam ataques violentos.

"Os líderes do Taleban/Al-Qaeda pacientemente coordenam o plano, despreocupados com a interferência do pessoal prisional ou dos militares", disse McChrystal.

Ele também criticou os centros de detenção dos EUA no país, apontando a notória prisão de Bagram, que funciona em uma base militar ao norte de Cabul, e onde os presos têm menos direitos do que os detentos da prisão militar de Guantánamo, encravada em Cuba.

Os EUA mantêm cerca de 600 prisioneiros em Bagram, muitos deles sem acusações formais.

"O povo afegão vê as operações carcerárias dos EUA como secretas e carentes do devido processo. Como resultado, centenas são mantidos sem acusação ou sem um caminho definido a ser seguido," disse o general.

Este cenário, continua ele, serve para radicalizar esses presos "bem além da sua orientação pré-captura."

McChrystal diz que as forças dos EUA precisam se empenhar em cumprir a meta de longo prazo de "tirar os Estados Unidos do negócio carcerário."

"O fim desejado deve ser a eventual transferência de todos os centros de detenção no Afeganistão (...) para o governo afegão."

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