Prisioneiro de Guantánamo chega aos EUA

NOVA YORK - Um detento da prisão de Guantánamo, o primeiro a ser transferido aos Estados Unidos, chegou nesta terça-feira a Nova York, onde enfrentará acusações de terrorismo, anunciou o Departamento de Justiça.

Redação com agências internacionais |

Ahmed Jalfan Ghailani, da Tanzânia, detido desde 2006 na prisão da base militar americana de Guantánamo, em Cuba, foi levado para a penitenciária metropolitana de Nova York, acusado de participação em 1998 nos ataques contra as embaixadas dos Estados Unidos em Dar es Salaam e Nairóbi.

Ele chegou escoltado no começo da manhã a Nova York e deve comparecer ainda nesta terça-feira à Justiça Federal em Manhattan, segundo nota do Departamento de Justiça.

AP
Ahmed Jalfan Ghailani
Ahmed Jalfan Ghailani,
em foto de arquivo
O tanzaniano estava preso desde setembro de 2006 na base de Guantánamo, que fica encravada em Cuba. Ele é acusado por 286 crimes, inclusive o de conspirar com Osama bin Laden e outros membros da Al-Qaeda para matar norte-americanos em algum lugar do mundo, e também especificamente por cada uma das 224 mortes resultantes dos atentados de 7 de agosto de 1998 contra as embaixada dos EUA na Tanzânia e no Quênia.

Vários dos crimes atribuídos ao réu podem acarretar a pena de morte ou de prisão perpétua.

Ghailani foi levado a julgamento nos EUA por decisão de uma comissão que revê a situação dos 240 supostos militantes ainda mantidos em Guantánamo. Ele é suspeito de ter comprado um caminhão e os tanques de oxigênio e acetileno usados no atentado da Tanzânia, que matou 85 pessoas, e de ter ajudado fisicamente nos preparativos para o ataque nas semanas anteriores à sua realização. O outro atentado do mesmo dia, no Quênia, matou 213 pessoas.

Presos em solo americano

Desde que em janeiro o presidente Barack Obama determinou a desativação da prisão de Guantánamo, vários parlamentares se mostram preocupados com a transferência de suspeitos de terrorismo para o território norte-americano.

Tentando afastar os temores, o secretário de Justiça, Eric Holder, disse na nota que o Departamento tem "um longo histórico de deter com segurança e de julgar com sucesso suspeitos de terrorismo no Judiciário, e vamos empregar essa experiência na busca por justiça nesse caso."

Entrevista de ex-detento

O argelino Lakhdar Boumediene, libertado após sete anos preso em Guantánamo, fez um relato de sua detenção e reafirmou sua inocência em ao canal de televisão americano ABC, na última segunda-feira divulgou trechos de uma entrevista exclusiva na internet.

"Sou um homem normal, não sou um terrorista", disse Boumediene, de 42 anos, que foi libertado e viajou para a França no mês passado, após dois anos de greve de fome.

Preso em 2001 junto com outros cinco argelinos na Bósnia, onde residia legalmente, Boumediene foi entregue às autoridades americanas sob suspeita de ter organizado um atentado contra uma embaixada dos Estados Unidos em Sarajevo. Pouco depois, foi transferido para Guantánamo, logo que a prisão foi inaugurada na base americana em Cuba, em 2002.

Boumediene pensou na época que sua prisão não duraria muito tempo, por se tratar de um erro, uma vez que até as autoridades bósnias já haviam anulado as acusações que constavam contra ele.

"Achei que os Estados Unidos, um grande país que tem a CIA, o FBI (...) se daria conta, talvez após uma ou duas semanas, de que eu era inocente e podia voltar para casa", contou à ABC News.

Ao invés disso, no entanto, o argelino foi mantido acordado por 16 dias e submetido a violência física por várias vezes. Perguntado pela ABC se acreditava ter sofrido tortura, respondeu: "Não acho, tenho certeza disso".

Entre outras coisas, Boumediene descreveu como o levantaram de uma cadeira segurando-o pelas axilas enquanto seus pés permaneciam acorrentados ao chão, e como o obrigaram a correr com alguns guardas até ser arrastado por eles quando já não aguentava mais ficar em pé.

Boumediene foi autorizado a se instalar com sua família na França, que se tornou o primeiro país da União Europeia a receber um ex-detento de Guantánamo que não era seu residente ou cidadão.

* Com AP e AFP

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