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Prisão onde Suu Kyi é julgada tem apelido de fossa do inferno

Bangcoc, 19 mai (EFE).- A prisão de segurança máxima de Insein, em Mianmar, onde começou hoje o julgamento da líder da oposição local e Prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, é chamada no país asiático de fossa do inferno devido às condições subumanas às quais os detentos são submetidos.

EFE |

Por trás de seus altos muros de concreto, entre 200 e 250 dissidentes cumprem longas penas amontoados em minúsculas celas, sob a ameaça constante da tortura, segundo denuncia a Associação de Ajuda aos Presos Políticos de Mianmar (AAPPM).

Nas celas de apenas cinco metros quadrados que lembram jaulas de um canil, os presos de Insein recebem diariamente cinco pequenos recipientes de água para beber ou para higiene pessoal, não têm colchão e usam um penico trocado uma vez por semana pelos guardas, de acordo com relatos de detentos recolhidas pela associação.

Com capacidade para abrigar cerca de seis mil prisioneiros, a população atual do presídio chega perto de dez mil, motivo pelo qual em muitos casos quatro detentos dividem o mesmo espaço.

Insein é um enorme complexo construído durante o período da colonização britânica, com uma estrutura central em forma de estrela cujas pontas são os módulos para os presos. Ao redor dela, se encontram os edifícios nos quais estão localizados os escritórios e as casas dos funcionários.

Segundo a associação, o consumo de drogas e o uso de seringas para injeções de heroína entre os presos viciados contribui para propagar o vírus da aids, um dos males mais disseminados no presídio, assim como a tuberculose, a disenteria e a desnutrição.

Os presos passam meses inteiros sem comunicação entre si e muitos deles jamais têm removidos os grilhões que levam nos tornozelos.

Nas raras ocasiões em que podem sair ao pátio para fazer exercícios, os presos devem correr em fila indiana através de um estreito corredor circular com cercas eletrificadas, lembra Aung Kyaw Oo, que passou 14 anos em Insein por participar das manifestações antigovernamentais de 1988.

Após ser libertada em 2005, Aung Kyaw Oo fundou a AAPPM e agora dirige um museu sobre a repressão política birmanesa criado na Tailândia pelas organizações de dissidentes no exílio.

Kyaw Kyaw Thant, jornalista preso em 2008 por entregar arroz às vítimas do ciclone Nargis, é, segundo a associação, mais um dos 127 presos políticos que precisam de um atendimento médico inexistente.

Segundo a Anistia Internacional, atos de tortura são cometidos regularmente na prisão de Insein. O uso de descargas elétricas e a suspensão da alimentação do detento por dias são algumas das práticas usadas.

O relatório também conta que, em certas ocasiões, o preso é obrigado a permanecer durante horas em posições que causam dor.

Atualmente, a Junta Militar de Mianmar mantém detidos 2.156 presos políticos, dos quais pelo menos 357 foram condenados a 104 anos de prisão desde que as autoridades locais endureceram em outubro do ano passado sua campanha de perseguição contra a oposição.

"A situação dos presos políticos é espantosa", apontou Bo Kyi, secretário-geral da associação, no relatório de mais de 20 páginas sobre as condições de vida nas prisões e campos de trabalhos forçados de Mianmar.

A AAPPM destaca que a maior parte dos detidos durante os últimos meses foram transferidos da prisão de Insein, que fica nos arredores de Yangun, para diferentes centros de detenção situados em regiões remotas do país nas quais não há médicos e remédios. EFE tai/bba

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