Prisão de mulher no Brasil ajudou em condenação de esposa de ministro sul-africano

Depois de presa no aeroporto com dez kg de cocaína, Tessa Beetge acusou Sheryl Cwele de tê-la recrutado para tráfico

iG São Paulo |

A condenação de Sheryl Cwele , esposa do ministro da Segurança de Estado sul-africano, Siyabonga Cwele, só foi possível graças à prisão da sul-africana Tessa Beetge, detida por autoridades brasileiras em 2008.

Acusações contra Cwele surgiram após a prisão de Tessa Beetge com dez kg de cocaína no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Depois de presa, Beetge acusou a esposa do ministro de tê-la recrutado para tráfico de drogas.

AFP
Foto de 05/02/2010 mostra Sheryl Cwele, mulher do ministro de Segurança de Estado sul-africano, Siyabonga Cwele, comparecendo à corte judicial
Beetge é acusada de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de drogas, envolvendo o ministro sul-africano, sua esposa e um cúmplice nigeriano chamado Frank Nabolisa.

A prisão da sul-africana de 31 anos, mãe de duas meninas, ocorreu em 13 de junho de 2008, quando agentes da Polícia Federal descobriram dez kg de cocaína, no valor de quase US$ 300 mil, em sua bagagem. Desde então, ela cumpre pena na Penitenciária Feminina da Capital, parte do complexo do Carandiru na capital paulista ainda ativo e utilizado para presas estrangeiras.

Na quinta-feira, a mulher do ministro sul-africano foi considerada culpada por tráfico de drogas. Juntamente com Cwele, Nabolisa foi acusado de tráfico de drogas, além de recrutar “mulas” para carregar a droga entre países. A sentença dos réus deve ser anunciada nesta sexta-feira. Ambos, que alegam inocência, poderão ser condenados a um mínimo de 15 anos de prisão.

Vítima

Beetge, que diz ter sido enganada por Cwele, conta que a mulher do ministro ofereceu um trabalho a ela por SMS. Mais tarde, em um encontro em que estavam Beetge, seu pai e suas duas filhas em um café, Cwele teria explicado que o trabalho exigia viajar para Londres por duas semanas para a fusão de duas empresas.

“Meu único erro foi confiar nela. Sheryl Cwele deveria pagar o preço. Ela deve enfrentar as consequências de suas ações”, disse Beetge em uma entrevista ao canal de TV sul-africano SABC 3.

Depois do aval da família, Cwele diz ter aceitado o trabalho e seguiu para Joanesburgo, onde foi pega por Nabolisa. “Sheryl havia me ditto que Frank era seu irmão. Soube agora que ele é um nigeriano. Vivi com ele em Joanesburgo por uma semana”, contou Beetge.

Foi quando, segundo ela, Nabolisa lhe deu uma passagem para a Colômbia em vez de Londres. "Quando eu perguntei a ele o que tinha acontecido com Londres, ele disse que aquela vaga já havia sido tomada, outras pessoas haviam comprado a empresa. Eu tive de aceitar a da Colombia e acreditei nele porque ele tinha uma boa razão", disse.

Ela voou para Bogotá, via São Paulo e Peru. Na capital colombiana, Bogotá, ela permaneceu em um quarto de hotel por cerca de uma semana.

'Mula'

Beetge disse que não suspeitava de carregar drogas até ter sido presa em São Paulo, quando voltava para a África do Sul. “Só percebi que eram drogas quando policiais no aeroporto abriram minha mala. Metade das minhas coisas não estavam lá. Havia embrulhos cheios de cocaína”, contou.

No entanto, o agente da Polícia Federal Carlos de Bartole disse, em depoimento no tribunal, que a sul-africana não parecia surpresa quando foi detida.

Em carta à sua mãe, Marie Swanepoel, a sul-africana da província de KwaZulu-Natal contou, em outubro de 2010, ter conseguido redução da pena de oito anos para seis anos, nove meses e 20 dias.

Em uma audiência prévia ao julgamento de Cwele, o advogado Muvuseni Ngubane disse que sua cliente não sabia por que Beetge havia viajado para o Peru e o Brasil. No entanto, emails e mensagens de texto apresentadas no tribunal sugerem que foi Cwele quem arranjou as passagens para Beetge ir de Lima, capital do Peru, para São Paulo.

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