Prisão de governador paralisa negociações na Bolívia, diz senador da oposição

O senador da oposição boliviana, Paulo Bravo, afirmou que a prisão do governador do departamento (estado) de Pando, Leopoldo Fernández, provocou a interrupção das negociações que tentavam definir um acordo entre o Governo de Evo Morales e seus opositores.

Redação com EFE |

Acordo Ortográfico Desde o sábado passado, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, e o representante dos autonomistas, o governador regional de Tarija, Mario Cossío, tentam pactuar um documento de pré-acordo que firme as bases da eventual negociação entre as partes políticas em conflito.

Mas, ao conhecer a notícia da detenção de Fernández, Cossió teria abandonado o Palácio do Governo de La Paz, segundo Paulo Bravo. O senador de Tarija, Roberto Ruiz, que foi com Cossío às reuniões, confirmou à Agência Efe que o processo ficou "suspenso, embora não acabado".

Segundo Ruiz, o governador opositor e sua delegação estão retornando a sua região para estudar o assunto da detenção, qualificada por ele como "ato abusivo e arbitrário", principalmente quando estava "praticamente pronto o documento" sobre as bases do diálogo.

Após insistir que as conversas não tinham sido encerradas totalmente, Ruiz afirmou que "a imediata libertação do governador regional Fernández significaria a imediata assinatura do acordo de pacificação nacional".

A detenção de Fernández provocou uma manifestação espontânea em seu apoio na cidade de Santa Cruz, onde o Comitê Cívico local exigiu a libertação, enquanto sugeria aos cidadãos que "não caiam nas provocações" e que continuem o diálogo com o Governo central.

Em La Paz, antes de a reunião ser suspensa, o presidente Evo Morales afirmou que o documento de trabalho, ainda não concluído, "pode ser uma base para seguir dialogando", mas anunciou que o revisará com os movimentos sociais que o apóiam.

Os principais temas da controvérsia entre Governo e opositores são a repartição territorial das rendas petrolíferas, a nova Constituição impulsionada por Morales e o regime autônomo defendidos por líderes de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.

Morales se incorporou às conversas com seus opositores agora interrompidas após retornar da Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), reunida ontem em Santiago do Chile, onde obteve grande respaldo dos chefes de Estado e Governo da região.

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