Prioridade da ESA é ciência e serviços espaciais, não ir à Lua

Paris, 20 jul (EFE).- A Agência Espacial Europeia (ESA) dá prioridade aos programas científicos e de serviços espaciais aos cidadãos, e não tem capacidade própria para enviar astronautas à Lua, por isso seu papel se limitaria a contribuir para o programa americano, se houvesse uma nova viagem ao satélite natural.

EFE |

"O fato é que a Europa agora depende de outros para ir à Lua com astronautas", por isso "só pode contribuir ao programa de prospecção dos Estados Unidos", disse o diretor-geral da ESA, Jean-Jacques Dordain, por ocasião do 40º aniversário da missão do "Apollo 11".

A possibilidade de que a Europa enviasse sua própria missão requereria previamente o desenvolvimento de "novas capacidades, em particular um sistema para transportar uma tripulação", e isso significaria "uma decisão política de alto nível", disse Dordain, em entrevista divulgada hoje pela ESA.

O diretor-geral, que se mostrou convencido de que haverá novas missões humanas à Lua e lembrou que Washington planeja um voo para 2020, ressaltou que não é muito importante se isso ocorrer nesta data ou cinco anos depois, porque agora não se trata mais de uma corrida pelo prestígio de um país sobre outro, como em 1969.

Naquele caso, o significado da aterrissagem do "Apollo 11" na superfície do satélite da Terra foi que "a tecnologia americana era mais forte que a soviética", lembrou.

Mas, para o responsável da ESA, a missão será lembrada porque, com seus primeiros passos na Lua, "os astronautas descobriram o planeta Terra".

Com essa missão, tomou-se consciência de que "temos que pensar no futuro da Terra globalmente, e não individualmente" e por isso agora o objetivo de uma viagem à Lua "não pode ser mais colocar uma bandeira", disse.

Segundo ele, o retorno à Lua faz sentido se for para realizar progressos científicos, estabelecer um sistema de alarme contra asteroides ou outras ameaças para a Terra, ou para buscar recursos que pudessem ser utilizados em nosso planeta.

Por isso, defende que os programas futuros sejam feitos não entre dois países concorrentes, mas em colaboração.

Dordain afirmou que, embora não seja urgente, não se deve abandonar a meta de voltar à Lua, em primeiro lugar, porque a Terra não está isolada e seu futuro não pode ser colocado sem levar em conta o entorno espacial.

Seria um incentivo para desenvolver tecnologias inovadoras, por exemplo, para a reciclagem dos recursos (água, oxigênio ou alimentos) dos que fizessem a viagem, e para continuar atraindo jovens talentos para o campo da ciência e da engenharia espaciais.

EFE ac/an

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