Príncipe do Catar trava batalha para reformar palácio em Paris

Por Estelle Shirbon PARIS (Reuters) - O projeto de um príncipe do Catar para modernizar um palácio do século 17 de sua propriedade no centro de Paris recebeu fortes ataques em um tribunal nesta sexta-feira.

Reuters |

Acadêmicos e arquitetos eminentes, vizinhos abastados e até mesmo uma idosa atriz de cinema que viveu na mansão durante duas décadas colocaram-se contra o projeto, alegando que ele causará dano irreversível a um monumento nacional.

Em debate, estão os planos de fazer um estacionamento sob o pátio do edifício, que se chama Hotel Lambert, instalar elevadores e construir novos banheiros.

"É como se você tivesse uma magnífica carruagem puxada por cavalos e quisesse transformá-la em uma limusine padronizada," disse à Reuters o professor de arquitetura Jean-François Cabestan, antes da audiência para decidir se a obra deve ou não ser proibida.

Cabestan faz parte de uma associação para a proteção da parte histórica de Paris, que foi aos tribunais para tentar reverter a aprovação oficial ao projeto de renovação. É uma corrida contra o tempo, pois as obras no prédio estão marcadas para começar em novembro.

Situada na extremidade da Ile Saint Louis, uma ilha no meio do rio Sena, a mansão tem uma fachada característica, com uma galeria semicircular, e já abrigou a dinastia de banqueiros Rothschild.

O irmão do xeque Hamad bin Khalifa al-Thani, emir do Catar, comprou a propriedade em 2007 por entre 60 milhões e 80 milhões de euros (entre 86 milhões e 115 milhões de dólares), de acordo com a mídia francesa.

A Ile Saint Louis é uma região de artistas e intelectuais, e a chegada do milionário do Golfo despertou rumores sobre carros imponentes e banheiros de mármore.

Os piores temores dos moradores pareceram ter se confirmado quando veio à tona o plano de construir um banheiro bem em cima da sala cujo teto foi pintado pelo artista Charles Le Brun, pintor da espetacular Galerie des Glaces, no Palácio de Versalhes.

Os críticos ficaram horrorizados em pensar que um vazamento poderia danificar a obra de valor inestimável e, após um protesto inicial, o banheiro foi descartado.

O projeto do elevador também foi modificado para poupar um teto especial e o estacionamento proposto teve o tamanho reduzido, levando o Ministério da Cultura a aprovar os novos planos em junho.

Mas isso não evitou que os opositores levassem a questão aos tribunais e na sexta-feira houve discussões acaloradas sobre tópicos como a localização dos novos banheiros propostos pelo príncipe e por que ele precisava de tantas vagas na garagem.

O advogado Thierry Tomasi, que representa o príncipe, disse que a obra era necessária para salvar o prédio da deterioração.

"O proprietário é um grande amante da arte, em especial da arte e da arquitetura francesa. A intenção dele sempre foi executar um projeto de restauração exemplar," afirmou Tomasi no tribunal.

Entre os que se enfileiraram para manifestar oposição ao príncipe está uma antiga moradora do Hotel Lambert --a atriz de cinema Michele Morgan, uma lenda na França desde que contracenou com Jean Gabin na obra-prima "Quai des Brumes," de 1938.

"O dinheiro pode comprar tudo, certo? E todas as petições do mundo não podem deter isso. Mas ainda vale a pena comprar uma briga," disse ela à revista online Prestigium.

O caso prossegue em setembro.

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