Príncipe Charles quer que países ricos emitam bônus para preservar florestas

Rio de Janeiro, 12 mar (EFE).- O príncipe Charles da Inglaterra propôs hoje que os Governos dos países industrializados emitam bônus para financiar a preservação das florestas tropicais e promover o desenvolvimento das nações emergentes.

EFE |

No segundo dia de sua viagem ao Brasil, o herdeiro à Coroa britânica explicou que estes bônus seriam respaldados pelos Governos e vendidos a empresas privadas, como fundos de pensões ou companhias de seguros, que forneceriam o financiamento.

Os fundos seriam doados, "e não emprestados", aos Governos dos países em desenvolvimento "para pagar pelo serviço" de manter as florestas em pé.

Por sua vez, esses Executivos deveriam investir em projetos de desenvolvimento, afirmou o príncipe em discurso a empresários no Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro.

As doações seriam pagas "com base em resultados" e poderiam ser ampliadas a mais nações, em função do número de florestas que forem salvas, explicou.

Os países desenvolvidos obteriam retorno financeiro em um prazo de dez a 15 anos, através da redistribuição de bônus de carbono ou pela transferência de tecnologias "verdes" para o desenvolvimento de projetos de energia renovável.

"É um mecanismo interino para momentos de emergência como esta que estamos vivendo", afirmou Charles.

O príncipe insistiu em que uma resposta sustentável requer a contribuição conjunta do setor público e privado, e pediu que sejam tomadas medidas "agora", aproveitando a crise mundial para "reforçar a mensagem" de que é necessário criar novas oportunidades de negócio para manter a floresta de pé.

Charles deu um prazo de 100 semanas para agir, tempo máximo que, segundo as "projeções mais otimistas", os habitantes do planeta têm para evitar a "mudança inexorável do clima".

"Temos que restaurar a harmonia das forças da natureza, porque, em caso contrário, as dificuldades que enfrentamos hoje não serão nada em comparação com as consequências que os efeitos integrais da mudança climática terão na economia", afirmou.

O príncipe aproveitou para elogiar as iniciativas "extremamente construtivas" desenvolvidas pelo Brasil, como o Fundo Amazônia e as políticas que "dão mais valor à floresta viva que derrubada".

Após o discurso, o príncipe Charles foi com a esposa, Camilla, a duquesa da Cornualha, para conhecer um projeto social que o ex-lutador de boxe britânico Luke Dowdney está desenvolvendo no Complexo da Maré.

As próximas escalas do casal serão as cidades de Manaus e Santarém, que Charles e Camilla conhecerão entre amanhã e sábado, antes de partirem para o Equador. EFE mp/db

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