Príncipe Charles e Camilla acompanham Sarkozy nos 90 anos do armistício

Paris, 11 nov (EFE).- O príncipe Charles e sua mulher, Camilla, acompanharam hoje o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a primeira-dama francesa, Carla Bruni, na cerimônia de comemoração dos 90 anos do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

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Rompendo a tradição, Sarkozy presidiu a cerimônia pela primeira vez no Forte de Douaumont, junto ao cenário da Batalha de Verdun, uma das mais sangrentas do conflito.

Diante de convidados ilustres - entre os quais estão os grão-duques de Luxemburgo, os presidentes da Bundesrat (câmara alta) alemã, Peter Müller, da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e o do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering -, Sarkozy prestou homenagem a todos os mortos "sem exceção".

"A França nunca esquecerá" dos soldados que "lutaram em nosso solo" e que defenderam "nossa liberdade", declarou o presidente francês em um discurso no qual destacou que é a primeira vez que se recorda o armistício sem a presença de sobreviventes da 1ª Guerra Mundial.

O último combatente francês, Lazare Ponticelli, morreu em março aos 110 anos de idade, lembrou Sarkozy, após dizer que, embora as "testemunhas da tragédia tenham desaparecido", sua memória está mais viva do que nunca.

No lugar onde estão enterrados 130 mil soldados dos 300 mil que morreram nos cerca de 300 dias da Batalha de Verdun, Sarkozy apostou em transformar a cerimônia de comemoração do armistício no hino de reconciliação da Europa.

Sarkozy fez sua proposta no mesmo lugar onde, em 1984, o então presidente da França, François Mitterrand, e o chanceler da Alemanha, Helmut Kohl, deram as mãos em um gesto que entrou para a história como símbolo da reconciliação entre antigos adversários.

Após frisar que se trata de uma homenagem a todos os mortos "sem exceção", Sarkozy citou concretamente os soldados fuzilados por deserção e sublevação, e destacou que eles também foram vítimas de uma guerra que "excluía toda indulgência e toda fraqueza".

Com estas declarações Sarkozy quis diminuir a polêmica que ressurgiu na França em torno dos soldados fuzilados em 1917 por terem se amotinado contra o que consideravam ordens incoerentes de seus superiores.

Há dez anos, o então primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, disse que estes amotinados deviam ser "reabilitados", indo contra a opinião do ex-presidente francês Jacques Chirac, e agora são várias as organizações sociais e políticas que se juntam a esta proposta.

Este 11 de novembro, 90 anos depois, é dia de luto para os franceses, e não um dia de comemoração da "vitória de um campo contra outro", declarou Sarkozy, vestido com terno e gravata negros.

Carla Bruni não destoou de Sarkozy, com um terninho cinza no qual estava presa a insígnia das doações em favor dos ex-combatentes de guerra.

A de Douaumont é apenas uma das muitas cerimônias realizadas hoje em toda a França, inclusive a protagonizada hoje de manhã pelo próprio Sarkozy em Paris, onde, rompendo outra tradição, depositou uma coroa de flores sob a estátua do ex-primeiro-ministro francês Georges Clemenceau, ao invés de fazer isto perante o Túmulo do Soldado Desconhecido, no Arco do Triunfo.

O príncipe Charles e a duquesa da Cornualha acompanharam com atenção o discurso do presidente francês e o minuto de silêncio pronunciado às 11 horas e 11 minutos do dia 11 do mês 11, marcando assim o momento exato no qual, há 90 anos, entrou em vigor o armistício.

O tratado foi assinado pelo marechal francês, Ferdinand Foch, e o alemão Matthias Erzberger às 5 horas da manhã de 11 de novembro de 1918 em um vagão de trem na Floresta de Compiègne (França), situada a 90 quilômetros ao norte de Paris.

Na França, 1,394 milhão de pessoas morreram no conflito e 3 milhões ficaram feridas. EFE pi/wr/fal

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