Principal rival de Ahmadinejad promete desmascarar fraude em eleições

Teerã, 13 jun (EFE).- O candidato independente reformista Mir Hussein Moussavi afirmou hoje que houve um complô contra a sua candidatura e disse que vai desmascarar a mão negra que, para ele, cometeu uma fraude eleitoral que ameaça os pilares da República Islâmica.

EFE |

Em comunicado não assinado que circulava hoje entre os seguidores dele e que foi distribuído aos jornalistas, o ex-primeiro-ministro apresentou seu "forte protesto contra o processo e os numerosos e claros casos de fraude".

"Aviso que não vou me render perante este teatro perigoso", conforme afirma a longa nota.

No entanto, o ministro do Interior iraniano, Sadeq Mahsuli, negou hoje as acusações de irregularidades no processo eleitoral e afirmou que "não foi recebida nenhuma queixa por escrito" que denuncie supostas fraudes.

Em entrevista concedida em Teerã, o responsável iraniano admitiu que houve algumas tensões entre os interventores dos diferentes candidatos, mas que não há "indício" de que isso tenha levado a violações da lei eleitoral.

"Não fomos informados de que tenha havido violações que tenham influenciado no voto, não existe nenhuma queixa por escrito", reiterou o ministro perante a insistência dos jornalistas.

Os resultados fornecidos pelo Ministério do Interior concederam a vitória nas décimas eleições presidenciais do Irã ao atual líder, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, com 64% dos votos.

Logo após o fechamento das urnas, o próprio Moussavi afirmou ter vencido as eleições e advertiu que os observadores de sua campanha tinham detectado numerosas irregularidades em favor do rival.

"Os resultados das décimas eleições presidenciais são assustadores. O povo que estava nas longas filas viu qual era a distribuição dos votos e sabe melhor que ninguém em quem votou", afirma o candidato reformista na nota.

"E agora tem que ver com assombro toda esta mágica feita pelos responsáveis eleitorais, ajudados pela radiotelevisão iraniana", acrescentou.

O ex-primeiro-ministro insistiu em que é seu dever "esclarecer quem planejou este grande jogo".

"O trabalho dos responsáveis foi negligente e faz tremer os pilares do sistema sagrado da República Islâmica do Irã. Permite a autoridade e a superioridade da mentira e da arrogância".

"Pelo direito legal e nacional que adquiri, revelarei os segredos deste processo perigoso e explicarei quais serão os efeitos destrutivos que terá para o futuro do país", ressaltou.

O polêmico e surpreendente resultado das eleições foi respaldado pelo próprio líder da revolução, aiatolá Ali Khamenei, que pediu aos candidatos para aceitarem o veredicto do povo e apoiarem o novo presidente.

"O presidente eleito é o presidente de toda a nação iraniana e inclusive aqueles que ontem (sexta-feira) foram seus rivais devem agora respaldá-lo e ajudá-los, porque é um dever divino", afirmou Khamenei.

"A participação de mais de 80% da população e os mais de 24 milhões de votos emitidos é motivo de verdadeira comemoração e um bom sinal que garante a continuidade do progresso da nação e a segurança nacional", ressaltou o líder supremo.

Ao mesmo tempo, e em diferentes pontos de Teerã, milhares de jovens gritavam: "Fomos enganados".

Em entrevista coletiva, Ali Akbar, chefe do comitê de supervisão dos votos de Moussavi, reiterou neste sábado que "mais de 40% dos colégios da capital não tiveram observadores".

Aparentemente, muitos dos delegados tanto de Moussavi quanto do clérigo reformista Mehdi Karroubi não puderam exercer sua função, já que as credenciais que receberam "tinham erros, e inclusive fotos trocadas".

Ali Akbar denunciou ainda que o comitê nacional emitiu "cinco milhões de cédulas a mais que o necessário para a votação" e que, mesmo assim, em muitos colégios faltaram cédulas durante horas.

"As queixas que recebemos são inúmeras, apesar de as comunicações nos arredores dos colégios não terem funcionado bem", criticou. EFE jm/db

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