Principal rival de Ahmadinejad, Moussavi é esperança dos reformistas no Irã

Teerã, 11 jun (EFE).- O candidato independente à Presidência do Irã, Mir Hussein Moussavi, é um bastião da velha guarda da política local que, no entanto, conseguiu recuperar a esperança dos reformistas.

EFE |

Nascido em 1941 na cidade de Khameneh, Moussavi desponta como a principal ameaça à reeleição do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Revolucionário de primeira hora, islamita convicto, o candidato independente foi primeiro-ministro do Irã na década posterior à Revolução Islâmica (1981-1989), na qual ganhou a fama de homem justo e honesto.

A gestão econômica de seu Governo, afetada pela guerra com o Iraque (1980-1988) e pelas sanções econômicas e financeiras impostas ao Irã pela comunidade internacional, é ainda elogiada pela maioria dos iranianos.

Em 1989, poucos meses depois da morte do fundador da República Islâmica e líder supremo, aiatolá Ruhollah Khomeini, uma reforma da Constituição impulsionada por seu sucessor, Ali Khamenei, extinguiu o cargo de primeiro-ministro.

Pintor e arquiteto, Moussavi passou então para o segundo escalão da política iraniana, primeiro como assessor do líder supremo e depois como membro do Conselho de Discernimento - órgão responsável por mediar as diferenças entre o Conselho de Guardiães e o Parlamento do Irã -, até decidir se candidatar à Presidência.

Desde então, sua fama de homem religioso e bom gestor aumentou suas chances de ser eleito se multiplicarem gradativamente até se transformar na principal ameaça ao conservador Ahmadinejad.

O ex-primeiro-ministro se define como um "reformista que preserva e zela pelos princípios da Revolução" e defende a liberdade de expressão, o que lhe trouxe o apoio não só dos jovens que querem abertura, mas também a simpatia daqueles que desconfiam da marca reformista.

Em questões econômicas, Moussavi acredita que Ahmadinejad desperdiçou o dinheiro do Estado, não soube lidar com os grandes lucros do petróleo quando o preço do barril disparou e colocou o país à deriva.

Quanto à política externa, criticou o que chama de "extremismo" político do presidente iraniano, que, segundo ele, foi o causador de um danoso isolamento internacional.

O candidato independente propõe retomar o diálogo com o Ocidente sobre a polêmica nuclear, mas insiste em que o Irã jamais deve renunciar ao "direito" de desenvolver este tipo de energia.

Já quanto às relações com os Estados Unidos, Moussavi também se mostrou mais amigável, mas insiste na tese oficial de que o presidente americano, Barack Obama, deve passar das palavras aos fatos.

A candidatura do ex-primeiro-ministro recebeu mais apoio nacional e internacional desde que foi respaldada pessoalmente pelo ex-presidente reformista Mohamad Khatami. EFE jm/bba-an

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