O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador de inflação no Brasil, fechou o ano de 2009 com uma variação de 4,31%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse resultado, a inflação volta a ficar próxima ao centro da meta definida pelo governo, de 4,5%.

Em 2008, o IPCA ultrapassou o alvo, fechando o ano com alta de 5,9%.

O ano de 2008 foi influenciado pela alta dos alimentos, que haviam fechado em 11,11%. Mas, em 2009, esses produtos tiveram variação de 3,18%, o que explica a redução do IPCA de um ano para o outro. Já os preços dos produtos não alimentícios tiveram alta de 4,65%, acima de 2008 (4,46%).

Entre os grupos pesquisados em 2009, o de despesas pessoais ficou com a maior alta (8,03%) e a maior contribuição ao índice (0,79 ponto percentual). Nesse caso, os itens que mais impactaram foram serviços pessoais (7,50%) e cigarro (27,00%).

Para este ano, os analistas de mercado ouvidos semanalmente pelo Banco Central preveem uma inflação um pouco maior, de 4,5%.

O argumento é de que, passada a crise financeira, os preços das commodities voltarão a subir. Além disso, as medidas de estímulo ao consumo colocadas em prática pelo governo também poderão exercer pressão sobre a inflação no país.

Alguns indicadores já apontam que o Brasil terá um forte ritmo de consumo ao longo 2010, com uma taxa próxima de 8%, o que deve puxar os preços para cima.

Juros
A economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, diz que os preços "voltarão a pressionar", exigindo do Banco Central uma nova leva de aumento dos juros.

Segundo ela, o aumento da Selic é uma "recuperação" de parte do que foi reduzido durante a crise financeira.

"Parte dos cortes nos juros realizados em 2009 foram por causa da crise. Agora que o pior passou, a inflação reaparece", diz Maristella.

Sua expectativa é de que a taxa básica de juros, a Selic, volte a subir a partir de abril, somando uma alta de 2,5 pontos ao longo do ano, para 11,25%.

As eleições não devem interferir na decisão do BC de aumentar ou não os juros, na avaliação da economista. "Fingir que a inflação não existe é pior do que aumentar os juros, do ponto de vista do mercado", diz. "E o BC não vai querer correr esse risco", acrescenta.

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