Principais mercados asiáticos abrem terça-feira com quedas

As bolsas asiáticas abriram esta terça-feira em queda, em um reflexo às baixas generalizadas nos mercados mundiais na segunda-feira pelo receio em relação ao tamanho da crise financeira internacional e à capacidade dos governos de contorná-la. No Japão, o índice Nikkei caiu mais de 5% nos primeiros 30 minutos desta terça, atingindo a barreira psicológica de 10 mil pontos pela primeira vez em quase cinco anos.

BBC Brasil |

As baixas, no entanto, foram diminuindo ao longo do dia.

Na Coréia do Sul, a bolsa abriu a terça-feira em queda de 1,3% e o mercado da Austrália começou o pregão com baixas de 3,27%, depois de fechar a segunda-feira com recuo de 3,3%.

A bolsa de Taiwan abriu com baixa de 2,78%. Já a bolsa de Hong Kong, que fechou a segunda-feira com queda de 5%, ficará fechada nesta terça-feira por causa de um feriado.

Em Xangai, o mercado abriu com recuo de 3,34%
Perdas globais
As quedas nas aberturas das bolsas asiáticas são registradas horas depois de um dia turbulento nos mercados globais.

A bolsa de valores de Nova York fechou nesta segunda-feira com o nível mais baixo em pontos em quatro anos.

O índice Dow Jones terminou o dia com queda de 3,58%, na marca dos 9.955,50 pontos - a mais baixa desde outubro de 2004. O Nasdaq recuou 4,34%.

As baixas, que chegaram a ser mais intensas durante o dia, refletem as incertezas dos investidores quanto ao pacote aprovado nos Estados Unidos para ajudar o mercado financeiro e também novos sinais de que a crise econômica está se agravando na Europa.

Segundo analistas, os investidores temem que o pacote aprovado na sexta-feira não tenha o impacto necessário para reverter a crise e também estão preocupados com a demora na sua implementação.

Em uma tentativa de dar segurança aos investidores, uma força-tarefa ligada à Casa Branca para lidar com o mercado financeiro divulgou um comunicado dizendo que está acelerando os preparativos para intervir no mercado, conforme o previsto no pacote.

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) também anunciou nesta segunda-feira que passará a pagar juros aos bancos pelas reservas que as instituições são obrigadas a depositar no Fed.

Em São Paulo, os negócios na bolsa foram interrompidos duas vezes durante as primeiras horas de pregão, depois de o índice Bovespa registrar queda de mais de 10%. Mas no fim do dia houve uma recuperação, e o índice encerrou o dia com perdas de 5,43%.

Europa
Na Europa, as principais bolsas de valores fecharam no vermelho nesta segunda-feira: em Londres, o FTSE fechou com queda de 7,85%; em Paris, o Cac recuou 9,04% (a maior queda de sua história) e, em Frankfurt, o Dax desabou 7,07%.

Para analistas, essas baixas européias refletem, em parte, as notícias do fim de semana.

Na Alemanha, o governo anunciou um novo pacote de socorro, de 50 bilhões de euros, para ajudar o banco Hypo Real Estate, uma das mais importantes financiadoras imobiliárias da Europa.

Na semana passada, o Hypo Real Estate havia obtido 35 bilhões de euros do governo alemão e de outras instituições financeiras, mas, no sábado, as instituições desistiram do socorro.

Além disso, o banco francês BNP Paribas concordou em comprar 75% das operações do grupo Fortis na Bélgica e em Luxemburgo.

Em troca, os governos da Bélgica e de Luxemburgo passarão a ter uma participação acionária minoritária no BNP Paribas. O braço holandês do Fortis foi nacionalizado pelo governo da Holanda.

Depósitos
O governo alemão anunciou um "compromisso político" de garantir os depósitos em bancos do país, enquanto a Dinamarca passou a garantir todos os depósitos integralmente e a Suécia decidiu aumentar de forma substancial as quantias seguradas.

Na semana passada, os governos da Irlanda e da Grécia haviam anunciado que iriam garantir integralmente os depósitos, e cresce a pressão para que outros países, entre eles a Grã-Bretanha, adotem a mesma medida.

No sábado, em uma reunião em Paris, os governantes de França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália prometeram empenho para evitar quebras de bancos no continente.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocaram reuniões com os presidentes dos principais bancos de seus respectivos países para discutir a crise.

Islândia
Fora da União Européia, o governo da Islândia - um dos países mais afetados pela crise financeira, devido a peculiaridades de sua economia - anunciou que está preparando um pacote de leis para resgatar o sistema bancário do país.

O pacote deve dar poderes amplos ao órgão regulador do sistema financeiro islandês para definir as operações dos bancos e até mesmo forçar um a se fundir com outro ou a pedir concordata.

A legislação também deve permitir ao governo assumir empréstimos concedidos para a compra de imóveis, depositando o dinheiro em um fundo estatal.

O país também anunciou nesta segunda-feira que vai dar garantia ilimitada aos depósitos bancários.

Antes disso, o governo islandês decidiu suspender as vendas de ações de seis das suas maiores instituições financeiras, incluindo os seus três maiores bancos: o Kaupthing, o Landsbanki e o Glitnir (que foi beneficiado por uma operação de ajuda de cerca de US$ 900 milhões na semana passada).

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