Primo diz que Jean Charles não tinha razão para temer polícia

O primo de Jean Charles de Menezes, Alex Pereira, disse nesta terça-feira aos jurados que o brasileiro não tinha motivos para temer a polícia. Em depoimento no terceiro dia do inquérito público que apura as circunstâncias da morte de Menezes, em julho de 2005, dentro de um vagão do metrô de Londres, Pereira disse que é normal para brasileiros serem parados pela polícia.

BBC Brasil |

"Nós viemos do Brasil, onde é normal os policiais pararem as pessoas e carregarem armas. Por que ele teria medo da polícia?", indagou Alex Pereira.

O brasileiro será o único membro da família a prestar depoimento no inquérito, previsto para durar três meses.

Pereira contou que ele e Jean Charles foram criados juntos em uma pequena cidade do interior do Brasil e que o primo era um jovem ambicioso, com sonhos de viajar para os Estados Unidos ou para a Grã-Bretanha.

"Ele era uma pessoa que aprendeu o ofício de eletricista sozinho e lutou para ter uma vida melhor porque de onde ele vinha tudo era muito difícil".

Ainda segundo ele, Jean Charles veio para a Grã-Bretanha depois que teve um pedido de visto para os Estados Unidos recusado.

Ao se estabelecer no país, começou a enviar dinheiro para a mãe e para a namorada Adriana, que tinha um filho de um relacionamento anterior.

"Ele aprendeu inglês rápido e estava muito feliz aqui. Acho que ele planejava ficar aqui para sempre.

Novas imagens
Pela manhã, os jurados assistiram a novas imagens gravadas por câmeras de vigilância que mostram o trajeto que o brasileiro fez de sua casa à estação de metrô no dia em que foi morto por policiais que o confundiram com um terrorista.

Câmeras de circuito fechado instaladas dentro do ônibus mostram Menezes entrando dentro do veículo vestindo uma jaqueta jeans azul e uma camisa preta.

As imagens mostram que o brasileiro foi seguido durante todo o trajeto por "Ivor" e "Lawrence" (nomes falsos), dois policiais à paisana.

No terceiro dia de inquérito, os jurados ouviram o depoimento de Stephen Reynolds, da Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC).

As imagens divulgadas no tribunal foram reunidas pela Comissão como parte de uma investigação que se seguiu ao episódio que culminou com a morte de Menezes.

O novo inquérito sobre o caso tem como objetivo apurar as circunstâncias da morte de Jean Charles e não deve apontar culpados.

Desde a morte do brasileiro, em julho de 2005, foram realizados tres inquéritos e um julgamento que condenou a polícia por violar as regras de segurança.

A corporação foi multada em mais de R$ 600 mil, mas não foi culpada pela morte de Jean Charles.

Os jurados ouvirão cerca de 75 testemunhas nos próximos três meses e, pela primeira vez, ficarão frente à frente com os policiais que atiraram sete vezes na cabeça do brasileiro.

Os policiais devem falar da pressão que sofriam com os atentados de 7 de julho e com as tentativas frustradas de ataques na rede de transporte de Londres no dia anterior à operação que terminou com a morte de Jean Charles.

A mãe e o irmão de Menezes chegam do Brasil no início do mês que vem para acompanhar o inquérito.

A investigação deverá decidir se Jean Charles foi morto ilegalmente ou não e também poderá selar o destino do chefe da policia de Londres.

Ian Blair já foi criticado nas outras investigações sobre o caso e analistas acreditam que ele poderá ser forçado a deixar o cargo.

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