Primo de Álvaro Uribe é preso da Colômbia

Autoridades colombianas prenderam na noite desta terça-feira o ex-senador Mario Uribe Escobar, primo e importante aliado do presidente Álvaro Uribe, por suposto envolvimento com grupos paramilitares. O ex-senador havia buscado refúgio na embaixada da Costa Rica em Bogotá, depois de ter uma ordem de prisão emitida pela Procuradoria Geral da Colômbia.

BBC Brasil |

O governo da Costa Rica negou o pedido de asilo político e disse que, caso o ex-senador não deixasse a embaixada por sua própria vontade, a polícia seria chamada ao local.

Em um comunicado, a Chancelaria da Costa Rica afirmou que devido "aos antecedentes do caso, provenientes, em particular, da Procuradoria Geral da Colômbia; amparado nos princípios e normas do direito de asilo, e com base na informação disponível, considera improcedente a solicitação".

Segundo o correspondente da BBC Mundo em Bogotá, Hernando Salazar, poucas horas depois, Mario Uribe Escobar deixou a embaixada, sob forte esquema de segurança e sob os gritos de "assassino" da multidão que se aglomerava em frente ao prédio, formada principalmente por vítimas dos paramilitares.

De acordo com o correspondente da BBC, Mario Uribe Escobar foi então levado à Procuradoria Geral da Colômbia, onde passaria a noite.

Nesta quarta-feira, segundo Salazar, o ex-senador seria levado à Penitenciária de La Picota, onde estão presos muitos congressistas e ex-congressistas acusados de envolvimento com paramilitares.

Em um breve comunicado, o presidente Álvaro Uribe expressou sua dor pela prisão do primo e aliado.

"Assumo esta dor com patriotismo, sem fugir ao cumprimento de minhas responsabilidades", disse o presidente.

Paramilitares

O primo do presidente é uma das figuras mais importantes da Colômbia envolvidas nas investigações do escândalo que levou à prisão dezenas de políticos acusados de manter relações com grupos paramilitares.

Mario Uribe Escobar, que nega as acusações, renunciou ao cargo de senador em outubro de 2007 e, desde então, perdeu a imunidade.

Na semana passada, outros dois importantes aliados de Uribe - a presidente do Senado, Nancy Gutiérrez, e o presidente do Partido de la U, Carlos García - também passaram a ser investigados e um terceiro, o senador Ricardo Elcure, foi detido para interrogatório.

Quando a abertura da investigação contra a presidente do Senado foi anunciada, Uribe pediu à Justiça colombiana que atuasse com "objetividade".

De acordo com a Procuradoria Geral da Colômbia, Mario Uribe Escobar está sendo investigado devido a uma reunião que teve com o ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso, antes das eleições de 10 de março de 2002, e com Jairo Castillo Peralta, também conhecido como 'Pitirri', em novembro de 1998.

Mancuso alegou que se reuniu várias vezes com o primo de Uribe, que teria pedido apoio para sua campanha ao Senado em 2002.

Os paramilitares foram criados por proprietários de terras e traficantes de drogas para combater rebeldes de esquerda e qualquer um suspeito de ser simpatizante desses grupos.

Em um acordo de paz com o governo, fechado em 2003, os líderes paramilitares se renderam e desmobilizaram 31 mil integrantes em troca de penas de prisão reduzidas e proteção no caso de extradição.

Os grupos paramilitares, incluindo as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), e os rebeldes de esquerda são considerados organizações terroristas pela União Européia e pelos Estados Unidos.

Além de primos de segundo grau, Álvaro e Mario Uribe são parceiros políticos há mais de duas décadas no departamento (Estado) de Antioquia, no noroeste da Colômbia, onde o atual presidente foi governador e congressista.

Os dois fundaram o partido Colômbia Democrática, ao qual Mario Uribe Escobar segue pertencendo.

Segundo o correspondente da BBC Mundo, "a ordem de prisão contra Mario Uribe Escobar foi interpretada na Colômbia como um duro golpe para o presidente Uribe, levando em conta a proximidade entre os dois".

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